Notícia

Jornal de Brasília

A surpresa brasileira

Publicado em 21 abril 2003

E realmente era assim, de acordo com o pesquisador Emmanuel Dias Neto, do Hospital das Clínicas. Só em 1996, o primeiro seqüenciador automático de grande capacidade chegou aos laboratórios da Embrapa. Pouco depois, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) começou a receber equipamentos e a desenvolver o seqüenciamento da bactéria Xylella fastidiosa, causadora do amarelinho nos laranjais. O projeto de US$ 12 milhões deu tão certo que em 1999 o País já entrava numa das mais concorridas disputas' genéticas: o mapeamento dos genomas dos cânceres. "Fomos contra tudo o que foi dito naquela reunião de 93. Centenas de genes novos foram descobertos por nós. Ganhamos reconhecimento internacional", completa Emmanuel Dias Neto, que foi um dos coordenadores da iniciativa da Fapesp. Atualmente, junto com outros 65 pesquisadores brasileiros, Neto completa um estudo de análise do genoma de tumores de cabeça e pescoço -duas das formas mais mortais e cruéis de câncer, pois desfigura o rosto do doente. "É um trabalho voluntário, com o intuito de dar algum sentido aos dados levantados pelo Genoma Câncer", destaca. Existem mais de 200 computadores com capacidade de mapeamento de genes espalhados pelo País, o que coloca o Brasil à frente de países de primeiro mundo, como a Alemanha. O problema continua sendo a falta de incentivo do governo federal e o pequeno número de pesquisadores.