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A Geração Ciência

A sombra do assédio na integridade da ciência

Publicado em 02 abril 2018

A American Geophysical Union (AGU) atualizou no mês passado seu código de ética e incluiu o assédio sexual na definição de exemplos de má conduta científica. Embora intolerável, o assédio sexual é um problema enfrentado de forma persistente pela comunidade científica.

Os efeitos destrutivos do assédio e da intimidação de caráter sexual atingem não somente as suas vítimas, mas todo o entorno do ambiente de pesquisa e podem, inclusive, afastar as mulheres da carreira científica.

De acordo com as diretrizes da AGU, qualquer pessoa pode apresentar uma queixa de assédio. As alegações que não puderem ser resolvidas pelo estafe da sociedade serão encaminhadas a uma comissão encarregada de investigá-las. Se o caso envolver pesquisa financiada com recursos federais, a AGU irá notificar a instituição a que o acusado estiver vinculado e determinar a quem caberá fazer a investigação. A punição máxima prevista é expulsão do membro considerado culpado.

Uma pesquisa feita em 2015 pela Association of American Universities, em 27 universidades, mostrou que 62% das alunas de graduação e 44% das de pós-graduação sofreram assédio sexual no ambiente acadêmico. Além da AGU, outras sociedades científicas se mobilizaram.

No mês passado, a American Chemical Society abordou o assédio sexual em uma reportagem de capa de sua revista – a Chemical & Engineering News. Nela, as editoras Linda Wang e Andrea Widener relataram as experiências de várias mulheres assediadas sexualmente por professores ou dirigentes acadêmicos quando eram estudantes de química. Na Universidade de Rochester, em Nova York, o linguista Florian Jaeger, professor do Departamento de Ciências Cognitivas, foi acusado por nove mulheres de assediá-las sexualmente enviando fotos de conteúdo sexual, de promover festas para estudantes oferecendo drogas ilícitas e de prejudicar alunas e pesquisadoras que resistiram a suas investidas.

Nas universidades públicas brasileiras, não é comum políticas específicas e claras de conscientização, denúncia e investigação de assédio sexual cometido por funcionários e professores.

A pesquisa “Violência contra a Mulher no Ambiente Universitário”, realizada em 2015 pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular, revela que 25% das estudantes universitárias já foram xingadas ou agredidas por terem rejeitado uma investida nas dependências da universidade ou em festas acadêmicas, competições e trotes. Dos 1.823 universitários brasileiros (de ambos os sexos) entrevistados pela pesquisa, 46% conhecem casos de alunas que sofreram violência sexual.

Em 2008, dois alunos sofreram assédio sexual por parte de um professor de uma universidade da região Oeste de Santa Catarina. Em abril de 2016, estudantes da Universidade Mackenzie, em São Paulo, se organizaram em uma campanha para expor situações de assédio sexual de professores contra alunos na faculdade. Além destes casos existem muitos outros. Fiquem atentos e DENUNCIEM!

Adaptado de Pesquisa FAPESP.