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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

A sociedade precisa de mais ciência, afirmam Negishi e Schrock

Publicado em 17 agosto 2011

Por Manuel Alves Filho e Everaldo Silva

O maior desafio da ciência é produzir processos e produtos que contribuam para a ampliação do bem-estar da sociedade. A opinião é do químico japonês Ei-chi Negishi, ganhador do Prêmio Nobel de Química de 2010, que participa da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA) sobre "Produtos Naturais, Química Medicinal e Síntese Orgânica". O evento prossegue até esta quinta-feira (18) no Centro de Convenções da Unicamp. "Nós precisamos de roupas, moradia, todo o material essencial à nossa vida. As pesquisas em torno dessas necessidades precisam sempre avançar; não podem retroceder", afirma.

A necessidade, enfatizou o cientista, é o combustível das novas descobertas. De acordo com ele, ideias para o desenvolvimento de investigações em áreas de relevância normalmente surgem quando o pesquisador se ressente de algo ou percebe que a sociedade precisa de alguma coisa. "Você sonha com uma forma de melhorar a sociedade, e aí você tenta descobrir novos métodos para produzir alimentos, remédios, produtos eletrônicos. Penso que realizei meu sonho de construir coisas. É disso que vim falar neste evento", declarou Negishi, que foi laureado com o Nobel por causa de suas contribuições às reações químicas catalisadas pelo elemento químico paládio, que já são de ampla aplicação no desenvolvimento de novas gerações de fármacos e agroquímicos.

Sobre o nível da ciência produzida no Brasil, o cientista considerou que o país é muito promissor e que tem condições de ganhar o seu primeiro Nobel. "A primeira vez em que o prêmio foi concedido a um japonês foi em 1949, apenas quatro anos após o país ser devastado pela Segunda Guerra Mundial", comparou. Segundo ele, a pesquisa em química cresce especialmente rápido no Brasil. "Prova disso é o programa ESPCA, mantido pela Fapesp. Fiquei muito entusiasmado com o formato do evento. Acho que é o tipo de iniciativa que terá certamente grande impacto no futuro desses jovens pesquisadores e do país", previu.

Na mesma linha, o também Nobel de Química de 2005, Richard Schrock, considera que os países emergentes, notadamente o Brasil, precisam seguir investindo em ciência para chegarem a novas descobertas. "Façam mais trabalhos, gastem mais dinheiro, façam mais ciência, mais tecnologia. É isso que estamos procurando", aconselhou. Questionado sobre como surgiram as ideias que o levaram à conquista do prêmio, o cientista norte-americano, que desenvolveu catalisadores de ampla aplicação em vários segmentos da indústria, disse que começou a trabalhar com o tema em 1974.

Conforme Schrock, que também ministrou conferências na ESPCA, suas pesquisas começaram pelo estudo das reações com catalisadores. "Ouvi falar de reações de metátese e os tipos de compostos metálicos que atuam como catalisadores nas reações. Pude observar que alguns se comportavam de maneira diferente do usual. A ideia talvez tenha surgido nessa ocasião". Sobre suas atuais investigações, o cientista fez mistério, preferindo dizer apenas que as novas pesquisas "continuam caminhando". "Mais descobertas e aplicações ainda estão para serem publicadas. Há muito mais por vir", garante.