Notícia

Gazeta Mercantil

A sociedade inovadora

Publicado em 08 setembro 1998

Considerem uma época de inovação tecnológica, alta produtividade, rápido crescimento, inflação baixa e grande riqueza - e grande turbulência econômica, com queda dos mercados acionários e re-cessões inesperadas em todo o mundo. Parece com a nossa década de 90? E quanto aos cem anos entre 1870 e 1970? O grande impulso da história econômica atual foi um período de inovação e de destruição criativa. Um relatório especial da Business Week mostra que para os EUA o crescimento de mais de 3% em anos recentes é meramente um retorno à norma, não uma anomalia, preparando o caminho para uma economia do século 21 de lucros e prosperidade. Mas, para chegar lá, é preciso uma reformulação de muitas das verdades acalentadas por Washington e pelos responsáveis pelas instâncias decisórias. Novos instrumentos e regras serão necessários no século 21, e isso é verdade não só para indivíduos e empresas, mas também para países em geral. A economia americana está em seus primeiros estágios de uma poderosa onda de inovação, não numa etapa tardia da maturidade. A tecnologia da informação já está gerando quase um terço de todo o crescimento econômico. A biotecnologia, grande vedete do momento, está começando a apresentar novos produtos. A nanotecnologia está pronta para criar uma nova geração de produtos eletrônicos de consumo miniaturizados no início da próxima década. O canal da inovação está repleto de revoluções. O próprio processo de produção está sendo radicalmente alterado. A integração virtual está rapidamente substituindo a integração vertical na medida em que as empresas usam a Net para tecer uma rede inconsútil de fornecedores, fabricantes, distribuidores e clientes globais. Tome-se o incrível exemplo da PalmPilot. A idéia originou-se em uma minúscula empresa de software, a Palm Computing, hoje pertencente à 3COM. O Pal Alto Design Group, da Califórnia, projetou o produto e mandou as peças serem fabricadas em Taiwan. A Flextronics, uma subcontratadora, montou as peças em Cingapura. Um fantástico lançamento saído da mente de jovens criadores de software, à venda há menos de um ano desde sua concepção: uma saga de brilho tecnológico, espírito empreendedor e trabalho em equipe globalizado. Trata-se da quintessência da história americana. De fato, uma economia inovadora e rápida agrada às forças culturais americanas. A flexibilidade, a criatividade e o otimismo harmonizam-se naturalmente em uma sociedade de imigrantes com uma história de fronteiras, na qual o "novo" é melhor do que o "velho", arriscar é mais valorizado do que se manter seguro e fazer dinheiro é considerado superior a herdá-lo. Há, contudo, um preço a ser pago. A história mostra que uma economia de alta produtividade e rápido crescimento está sujeita a mais - e não a menos - choques. As nações podem ascender e decair à medida que procuram adaptar-se às novas tecnologias. Pode ser que o inesperado declínio do Japão seja o primeiro exemplo de uma grande nação industrial incapaz de se adaptar às tecnologias da era da informação, voltando-se, em vez disso, para uma política de desvalorizações competitivas da moeda que ajudou a derrubar a prosperidade asiática. E, em última instância, o sucesso da unificação européia pode muito bem depender da habilidade da Europa em integrar tecnologias entre suas fronteiras. Uma coisa é certa. Uma economia impulsionada pela inovação requer novas políticas e novas estratégias. As soluções tradicionais, liberais e conservadoras, para os problemas baseados em um paradigma da era industrial, não mais funcionam.