Nísia deixa o cargo, mas seu legado no SUS permanece. A saída da ministra Nísia Trindade marca o fim de uma gestão histórica à frente do Ministério da Saúde, mas seu impacto na reconstrução do Sistema Único de Saúde (SUS) seguirá reverberando nos próximos anos. Primeira mulher a ocupar o cargo, Nísia liderou um trabalho essencial para fortalecer a saúde pública após a devastação causada pela má gestão anterior. Em um setor onde quase 75% da força de trabalho é feminina, sua presença simbolizou avanço e representatividade. Seu compromisso com o SUS e com políticas inclusivas deixam um legado que seguirá impulsionando a defesa da saúde pública e a presença de mais mulheres nos espaços de decisão. A saída de Nísia do Ministério da Saúde marca o fim de uma gestão focada na reconstrução do SUS, após um período de desmonte e descrédito da saúde pública. Em sua carta de despedida, Nísia destacou os desafios enfrentados e os avanços conquistados, ressaltando que encontrou o ministério “desmontado e desacreditado” após a pandemia de Covid-19, que resultou em 700 mil mortes. Durante sua gestão, o Mais Médicos foi expandido, o Farmácia Popular ampliado, e o Samu fortalecido, garantindo cobertura nacional até 2026. A vacinação voltou a crescer, retirando o Brasil da lista dos países que menos vacinam crianças, e a parceria com o Butantan viabilizou a produção da vacina nacional contra a dengue. O fortalecimento da atenção primária, a redução das filas de cirurgias e os investimentos em hospitais e laboratórios públicos também marcaram sua passagem pelo ministério. A continuidade desse trabalho agora será responsabilidade do ministro Alexandre Padilha, que assume o desafio de manter e aprimorar os avanços conquistados.