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A riqueza é escondida nas entranhas da baía do Araçá

Publicado em 31 dezembro 2013

À primeira vista não é um lugar dos mais bonitos do litoral norte. A praia é lamosa, o cheiro meio ruim. A vida não é muito evidente. Tanto que no início de 2011 o prefeito de São Sebastião, Ernane Primazzi (PSC), chegou a decretar a morte da baía do Araçá. A comunidade científica reagiu.

Pesquisas realizadas ao longo das cinco décadas anteriores haviam descoberto que ali viviam mais de 700 espécies, principalmente no substrato, como moluscos e crustáceos. Isso em somente um terço da baía, a faixa entre marés.

Diante da declaração do prefeito, os pesquisadores se viram diante do desafio de responder se a região estava realmente morta e estender a investigação para toda a bacia, analisando não só sua biodiversidade como também a hidrodinâmica, transporte de sedimentos, as interações da cadeia alimentar, a relação com a população e a dinâmica pesqueira, além dos serviços ecossistêmicos.

Mais de 140 pesquisadores ligados a um megaprojeto do programa Biota, da Fapesp, começaram a pôr o pé na lama no ano passado e já estão confirmando suas suspeitas. "Sem ainda analisar todos os dados, já podemos dizer que o Araçá está vivinho, continua com uma alta biodiversidade", resume a pesquisadora Cecília Amaral, do Instituto de Biologia da Unicamp e líder do projeto.

Em cerca de um ano e meio foram identificadas cerca de 430 espécies, sendo 100 de peixes e 30 de aves. A maioria, cerca de 300, vive no substrato arenoso e/ou lamoso, nos costões rochosos e no manguezal. Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da USP, destaca o papel de limpeza que a baía promove no esgoto da cidade, que chega sem tratamento ao mar.

"O que estamos vendo é que esse ambiente tem vários valores e funções. As pessoas que vivem ali percebem isso, não só hoje, mas historicamente. A gente quer qualificar a discussão sobre o uso dessa região, para que seja mais sábia."

Agência Estado