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Jornal O Debate (São Luís, MA) online

A resposta do ecossistema de startups a pandemia

Publicado em 12 maio 2020

Por José Muritiba

Os últimos anos foram decisivos para consolidar o ecossistema brasileiro de startups tal como ele é hoje, onde é quase impossível imaginar a vida cotidiana sem as soluções dessas empresas disruptivas.

Elas mudaram a maneira como nos locomovemos pela cidade, procuramos acomodações para viagens, alugamos apartamento, pagamos nossas contas e muito mais!

Até meados de fevereiro desse ano, estimava-se que 2020 seria o ano de destaque das startups brasileira, com base no sólido crescimento e fortalecimento que vínhamos apresentando nos últimos anos e, principalmente, em 2019, quando tivemos mais cinco unicórnios reconhecidos.

Mas, como qualquer rotina de altos e baixos da vida empresarial, o cenário mudou e, hoje, enfrentamos um break global por conta da pandemia do Covid-19, que tem se refletido nos negócios e na economia.

Os investimentos, que tanto movimentaram o setor, foram um dos primeiros a diminuir (e muito) o ritmo. Em números exatos, do capital investido no ano, apenas US$ 9 milhões, aproximadamente 3%, foram investidos, representando uma queda de quase 47% em relação ao mesmo mês de 2019. Sendo assim, a questão agora será em quem empregar esse capital, pois o dinheiro existe.

Considerando cenário de reclusão social, geramos um intenso debate de como o mercado digital e a tecnologia estão se tornando protagonistas, sendo uma boa solução para diversos segmentos.

Isso porque, a utilização de ferramentas tecnológicas se tornou o principal (se não, o único) meio de comunicação, canal de vendas e entrega de real valor para clientes de segmentos mais tradicionais.

Nesse ambiente, moram diversas oportunidades para startups com cenários que elas já sabem atuar: com equipes enxutas, baixos custos, agilidade e potencial caminho de sucesso para negócios que antes não habitavam o universo digital.

Obviamente, assim como toda situação de extremos, alguns setores se destacam em detrimento a outros. Vemos, por exemplo, soluções de educação, saúde, logística, finanças e telecomunicações em destaque, afinal, mais do que nunca, a inovação é necessária para continuarem operando.

Para os setores mais atingidos (eventos, turismo e outros), surgiram ainda algumas iniciativas importantes como a da AWS junto com a Abstartups para concederem crédito para startups; e os editais do Sebrae, SENAI, Inova Unicamp, Fapesp, e AGTech Garage, que estão oferecendo até R$ 20 milhões em financiamento para novos negócios que queiram transformar o cenário da crise.

Infelizmente, o momento ainda é de muita dúvida, insegurança e incerteza. Pesquisa da consultoria Wayra Brasil com mais de 500 startups espalhadas por mais de nove países (Alemanha, Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Espanha, Peru, México e Reino Unido) aponta que a crise está impactando negativamente 74% das startups; enquanto 26% considera impactos positivos em seus negócios.

Por serem soluções baseadas na tecnologia, a grande maioria (85%) conseguiu rapidamente implementar o trabalho a partir de casa, continuando com suas operações com as equipes atuando à distância.

E, mesmo nesse cenário, 72% planejam aumentar seu time nos próximos três meses; olhando (57%) com otimismo para futuro. Mas, em geral, as contratações previstas anteriormente estão congeladas.

Com uma perspectiva real, vemos a história mundial nos mostrando que diante do caos, existem oportunidades e mudanças positivas.

Entendo que, quem for mais rápido, assertivo, abrangente e ágil, sairá na frente, e essas são todas características evidentes no DNA de startups!

Não tenho dúvidas que serão delas que virão as inovações mais relevantes durante e pós esse momento que vivemos.

* José Muritiba é diretor executivo da Associação Brasileira de Startups.