Notícia

UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

A Rede Zica Unicamp

Publicado em 11 fevereiro 2016

A Rede Zika Unicamp, coordenada pela Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP), foi estruturada para desenvolver diversas ações que contribuam para enfrentar os graves impactos provocados na saúde pública pelas doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. A Universidade reuniu um grupo de aproximadamente 25 docentes e pesquisadores de diferentes especialidades para buscar soluções nas áreas de controle do inseto, virologia, epidemiologia e imunologia, entre outras. “A Unicamp tem profissionais de alta competência capazes de dar respostas aos problemas que o país está enfrentando”, afirma a pró-reitora de Pesquisa, professora Gláucia Pastore.

De acordo com a docente, desde o final de dezembro até o momento foram realizadas diversas reuniões com os integrantes da rede, com o propósito de definir linhas de atuação e a estrutura necessária às pesquisas. “Várias ações estão em andamento e algumas medidas já estão sendo aplicadas, como a realização de testes para identificar, em somente cinco horas, a presença de material genético do vírus da zika, da dengue e da Chikungunya em amostras de saliva, sangue ou urina de pessoas doentes”, destaca.

Na Unicamp, a coordenação da rede está sob responsabilidade da professora Clarice Arns, do Instituto de Biologia (IB). Ao lado dela, outros quatro docentes coordenam as áreas de pesquisa (veja abaixo). “A Rede Zika Unicamp foi estruturada de forma a estabelecer cooperações técnicas com as outras duas universidades estaduais paulista, USP e Unesp”, pontua a pró-reitora de Pesquisa.

Ainda segundo Gláucia Pastore, a força-tarefa da Universidade também contribui com os esforços desenvolvidos pelo Estado de São Paulo no combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. “Além disso, a rede participará da força-tarefa que a Fapesp [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo] estabelecerá com o mesmo objetivo”, adianta.

Outro ponto enfatizado por Gláucia Pastore é a intensificação das relações internacionais dos integrantes da Rede Zika Unicamp, com o propósito de qualificar ainda mais os estudos e assim obter soluções ainda mais sólidas para os problemas causados pelo zika vírus, dengue e Chikungunya.

GRUPOS

Gestantes - O obstetra Renato Passini Júnior, professor associado do Hospital da Mulher “Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti” – Caism da Unicamp, informou que a Divisão de Obstetrícia ficará responsável por acompanhar gestantes com suspeita ou com confirmação de infecção pelo vírus zika. Nos casos de suspeita, em que a gestante apresente manchas vermelhas pelo corpo, com ou sem febre, será colhido sangue para exame confirmatório, que será realizado em laboratório do Instituto de Biologia (IB). Também serão acompanhados eventuais casos de gestantes com diagnóstico intraútero de microcefalia. Os acompanhamentos devem iniciar nos próximos dias.

Plantas e produtos naturais - Atuando no front da descoberta de novos produtos e o seu desenvolvimento, a professora titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) Mary Ann Foglio terá por desafio a realização de uma triagem de compostos relevantes encontrados em plantas e em outros produtos naturais, a fim de verificar a sua viabilidade larvicida, ovicida e inibitória contra o vírus investigado. O uso de um arsenal de produtos naturais tem como propósito inibir o crescimento do vírus e também do mosquito, principalmente para evitar a sua proliferação. Na etapa de desenvolvimento, os compostos poderão ser produzidos sob a forma oral, tópica ou como spray.

Imunopatogenicidade - Os estudos dos mecanismos de imunopatogencidade, ou seja, de que forma o sistema imunológico se comporta diante da infecção pelo vírus, envolvem questões que preocupam o grupo coordenado pelo docente Fabio Trindade Costa, no Instituto de Biologia (IB), que também é vice-coordenador da Rede Zika na Unicamp. Segundo ele, somente com o avanço nessa pesquisa será possível vislumbrar o desenvolvimento de uma vacina, por exemplo. Costa também salienta a parceria firmada com a Agency for Science, Technology and Research (A*STAR) de Singapura, para a troca de tecnologia e informações com o objetivo de mapear especificidades do vírus conforme a região. "A rede formada na Unicamp está bem-estruturada e abrangente, investigando desde a parte clínica até a caracterização do vírus, passando pela farmácia. A parceria com o A*STAR, um dos melhores institutos de pesquisa do mundo, possibilita um avanço ainda mais sólido e significativo na pesquisa."

Clínica - As questões clínicas relacionadas ao zika vírus na gestante, no recém-nascido e em pacientes que tiveram alterações neurológicas são alvo dos estudos atribuídos ao eixo clínico epidemiológico coordenado pela professoraMariângela Ribeiro Resende, da área de Infectologia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), em conjunto com o professor Renato Passini. "Nosso objetivo é a vigilância epidemiológica ampliada dos casos. Não conhecemos, por exemplo, a história natural da doença, como ela se comporta em cada pessoa, entre as gestantes quantas terão comprometimento, qual o mecanismo imunológico que justifica isso." Neste eixo também é estudado o impacto da circulação do vírus na região. Os pesquisadores já tiveram um importante papel na elucidação do caso de um paciente infectado em transfusão de sangue. Sobre a realização dos testes diagnósticos específicos para zika no Hospital de Clínicas, a professora alerta que eles serão indicados somente para os casos de gestantes com exantema, recém-nascidos com malformações neurológicas e pacientes adultos com síndrome de Guillain Barré no contexto de assistência do caso e intermediados pela vigilância epidemiológica.