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Jornal da Unesp

A proteína que combate infecções em cavalos

Publicado em 01 março 2013

Cientistas da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), Câmpus de Botucatu, descreveram o mecanismo de ação da hepcidina em equinos, ovinos e asininos. A pesquisa com cavalos rendeu o Prêmio Capes de Tese Edição 2011, na categoria Medicina Veterinária, concedido em junho do ano passado.

A hepcidina é um peptídeo essencial para a defesa do organismo: ela influi no metabolismo do ferro, que transporta o oxigênio dos pulmões para as células do corpo, mas também pode ser usada por bactérias e outros microrganismos invasores para se reproduzirem. Numa infecção, a hepcidina se associa a outra proteína, a ferroportina, para reter o ferro em células específicas, impedindo-o de entrar na corrente sanguínea.

Estima-se que esse peptídeo esteja presente em todos os mamíferos e em alguns peixes, mas, na maioria das espécies, ainda não foi caracterizado e sua função não foi comprovada. Em equinos, o gene da hepcidina foi sequenciado pela equipe coordenada por Alexandre Secorun Borges, professor da FMVZ. Sua expressão gênica foi analisada em células do fígado e em outros tecidos de cavalos saudáveis.

A pesquisa, feita em parceria com cientistas da Universidade de Cornell, resultou na tese de doutorado de José Paes de Oliveira Filho, hoje docente da FMVZ. Orientado por Borges e coorientado pelo professor João Pessoa Araújo Júnior, o trabalho foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e concluído em dezembro de 2010. Os resultados foram publicados na revista Veterinary Immunology and Immunopathology e levaram à obtenção do Prêmio Capes e do prêmio de melhor trabalho científico na Conferência Anual da Associação Brasileira dos Médicos Veterinários de Equídeos (Abraveq), em 2012.

PROTEÇÃO

Uma segunda etapa da pesquisa consistiu em comprovar a ação da hepcidina contra infecções. Foram usados dois experimentos para induzir um quadro inflamatório leve em cavalos sadios.

No primeiro, os pesquisadores injetaram, por via intravenosa, uma toxina extraída da membrana de bactérias. Por meio de uma biópsia de fígado, os cientistas comprovaram que a expressão gênica da hepcidina havia aumentado nesse órgão. Os resultados foram publicados na revista Innate Immunity.

No segundo experimento, uma substância composta de micobactérias inativadas foi introduzida por via intramuscular. Os resultados, similares aos do primeiro teste, foram apresentados no American College Veterinary Internal Medicine (EUA), em 2010. O grupo realizou estudos semelhantes em ovinos, com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A pesquisa foi tema de mestrado de Peres Ramos Badial.