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A produção científica brasileira está longe do conhecimento da população

Publicado em 18 junho 2021

O Brasil é um grande produtor de ciências. O país tem reconhecimento internacional, não havendo mais distinção entre laboratórios brasileiros e estrangeiros. Apesar de estar em constante ascensão, a sociedade ainda não tem conhecimento dessa produção.

As universidades públicas são as maiores produtoras dessa ciência. Mais de 95% das produções científicas nas bases internacionais são produzidas por elas, já em cenário apenas nacional, são mais de 60%, número que representa 15 instituições. Entre elas estão a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (UNESP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A sociedade não está a par dessas informações. Falta uma divulgação mais ampla, que se dá pela desvalorização que a produção de ciência sofre quando comparada a outros países. O Brasil investe cerca de 1% em pesquisa e desenvolvimento, metade do percentual médio dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Quem está no ambiente da universidade pública acaba tendo mais informações sobre o cenário. Luiza Cruz, 19 anos, estudante de Serviço Social na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia conta que antes de ingressar na universidade tinha um conhecimento muito vago sobre pesquisas, mas que hoje já tem uma dimensão maior acerca do tema. “Tenho consciência que muitas pesquisas e artigos são feitos. Na área do meio ambiente, saúde e inovação. Isso ficou evidente na pandemia, já que muitos cientistas buscaram respostas para o vírus e trabalharam na produção de vacinas.”

Luiza ainda acrescentou sobre a importância da ciência brasileira e a desvalorização que tem sofrido, “o fato de eu não saber responder muita coisa significa que precisamos falar mais, mostrar o que os cientistas e pesquisadores fazem, eles produzem muito, mas não há incentivo do governo. Esse desestímulo reflete no dia a dia, pelo fato de eu saber pouco, e muita gente não saber nada. Porém, tenho consciência que muita coisa é feita, tive aproximação depois de entrar na federal, e vejo a importância de investir em produção de conhecimentos, completou.

De acordo com uma pesquisa feita pela Clarivate Analytics, o Brasil, no período de 2011 a 2016, publicou mais de 250 mil artigos na base de dados Web of Science em todas as áreas do conhecimento, correspondendo à décima terceira posição na produção científica global, na qual se apresentam mais de 190 países. Porém, a desvalorização que se dá a partir dos cortes de verbas das universidades públicas podem colocar em risco as conquistas cientificas brasileiras, fazendo com que o país recorra a tecnologias produzidas em outro país, o que gera um atraso no desenvolvimento socioeconômico nacional, pois as verbas na verdade são investimentos.

José Guilherme Santana, mestrando em Estatística na Universidade Federal da Bahia, reitera que a produção científica no Brasil apesar de ter qualidade, não tem quantidade, e isso é um fator muito agravante porque o resultado dessas pesquisas pode fluir diretamente no comportamento e na vida da sociedade, trazendo diversos benefícios. Quando comparado a outros países, ele diz que recentemente a gente pode ver com o avanço das pesquisas científicas nos países tidos como desenvolvidos, a exemplo dos Estados Unidos e da Inglaterra, poderiam propor um maior desenvolvimento de medidas de combate a pandemia da covid 19. Esses países possuem grandes investimentos no campo da pesquisa, coisa que não ocorre aqui.”

O Brasil conta com instituições que lutam pelo desenvolvimento científico e de políticas públicas na área de educação, ciência, tecnologia e inovação. Dentre elas, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

A ABC foi fundada em 1916, e dedica-se ao estudo de temas de primeira importância para a sociedade do país, visando dar subsídios científicos para a formulação de políticas públicas. Seu foco é o desenvolvimento científico do país, a interação entre os cientistas brasileiros e desses com pesquisadores de outras nações. Já a SBPC é uma entidade civil, sem fins lucrativos ou posição político-partidária, voltada para a defesa do avanço científico e tecnológico, e do desenvolvimento educacional e cultural do Brasil. Desde sua fundação, em 1948, a SBPC exerce um papel importante na expansão e no aperfeiçoamento do sistema nacional de ciência e tecnologia, bem como na difusão e popularização da ciência no país.

Importantes marcos no desenvolvimento tecnológico no Brasil

A criação do Museu Nacional (1818), primórdios da Fundação Oswaldo Cruz (1900), criação do Instituto Butantan (1901), fundação da Academia Brasileira de Ciências (1916), fundação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (1948), fundação do ITA (1950), criação do CNPq (1951), criação da Capes (1951), criação da Fapesp (1960), criação da Finep (1967), criação da Embrapa (1972),e a criação do Ministério da Ciência e Tecnologia (1985).

Cientistas brasileiros que deixaram importante legado

Alberto Santos Dumont, Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Celso Furtado, Joahana Dobereiner, Milton Santos, Ruth Nussensweig, Luiz Hildebrando Pereira da Silva, Maria Deane, Bertha Becker, Paulo Freire, Cesar Lattes, Otto Gottlieb e Mario Schenberg. Temos mais de uma centena de Sociedades Científicas coordenadas pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que tem estreita parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) em defesa da Ciência brasileira.