Notícia

Nordeste Rural

A praga da fusariose em bananeiras pode ser controlada com um correto manejo do solo

Publicado em 13 junho 2021

O estudo mostrou que solos mais ácidos, com menor disponibilidade de fósforo, cálcio ou de manganês e menor saturação por bases fazem com que as plantas sejam mais afetadas pela doença. Um levantamento em áreas de produção de banana do Estado de São Paulo, no Vale do Ribeira, principal produtora de banana do Brasil, identificou que fatores do solo podem predispor as bananeiras à fusariose.

Áreas de produção na região de São Bento do Sapucaí também foram avaliadas pelos pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, Instituto Agronômico (IAC), APTA/Vale do Ribeira e Cati/São Bento do Sapucaí. Nessa região, onde os bananais são manejados com menor uso de insumos químicos, os atributos físicos do solo mostram-se mais importantes para modular a intensidade da doença.

“Em cultivos de banana em São Bento do Sapucaí,” explica o técnico da Embrapa Meio Ambiente Henrique Vieira, “solos mais compactados e que apresentam maior resistência à penetração de raízes determinam maior incidência de fusariose”.

Em todas as regiões estudadas, em cultivares de banana Prata como nas do tipo Nanica, observa-se que plantas afetadas pela doença apresentam desequilíbrios nutricionais, com teores mais baixos de cálcio e de potássio em relação aos de nitrogênio.

A identificação desta associação entre fatores edáficos, estado nutricional das plantas e a incidência de fusariose, ainda que a princípio pareça uma descoberta de interesse apenas teórico, tem grande importância tanto para o dia a dia dos produtores rurais, como para aqueles consumidores que apenas desejam dispor de uma fruta saudável e com preço acessível.

A visão de que a saúde das plantas depende da saúde do solo faz com que a pesquisa busque soluções integradas para o controle de doenças, indo além da aplicação de defensivos. Como sequência aos resultados obtidos nesse projeto, a equipe segue estudando a relação de fatores bióticos e abióticos com a intensidade da fusariose-da-bananeira tanto em condições de campo, como em casa-de-vegetação, no âmbito de um novo projeto, também financiado pela Fapesp, com encerramento previsto para março de 2022. Neste projeto também estão sendo investigadas alternativas de manejo da doença orientadas à saúde da planta via saúde do solo, bem como à redução de fatores de predisposição, como a presença do moleque-da-bananeira.