Notícia

Claudia

A Poderosa das Ciências

Publicado em 01 abril 2001

Por Sibelle Pedra
Sob os aplausos de uma platéia em que havia até um Nobel de Medicina (o belga Christian de Duve, em 1974), a cientista Mayana Zatz subiu ao palco na elegante sede da Unesco, o órgão das Nações Unidas que busca desenvolver a ciência, a cultura e a educação, em Paris, no final de fevereiro. Ela recebeu o prêmio Mulheres na Ciência, concedido pela indústria de cosméticos L'Oréal em parceria com a Unesco. Criado em 1998 para estimular a presença feminina na pesquisa científica, o prêmio - equivalente a 20 000 dólares - é entregue anualmente a cinco pesquisadoras de todo o mundo. Mayana, nascida em Israel e radicada no Brasil desde os 7 anos, representou a América Latina. "Foi emocionante", conta ela. "Esse reconhecimento nos dá uma força enorme para continuar." Segundo o último levantamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, está crescendo o número de mulheres nos laboratórios de pesquisa. Mas poucas conseguiram o renome de Mayana. Aos 53 anos, ela publicou 185 trabalhos - 163 em revistas internacionais. Até outubro, seus artigos haviam sido mencionados 2 047 vezes por pesquisadores do mundo inteiro. Bióloga formada pela Universidade de São Paulo, é professora titular de Genética Humana e Médica no departamento de biologia desde 1995. Coordenou um dos laboratórios envolvidos no seqüenciamento dos genes da Xylella fastidiosa, a praga dos laranjais, conhecida como amarelinho. "É uma cientista extraordinária, com uma produção intelectual impressionante", elogia José Fernando Perez, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). No ano passado, o Centro de Estudos de Genoma Humano da USP, coordenado por ela, recebeu da Fapesp um financiamento de 3 milhões de reais anuais. AJUDA À COMUNIDADE Nesse centro, Mayana faz, entre outras pesquisas, diagnóstico e aconselhamento genético de doenças neuromusculares, sua grande área de ação. Ela já atendeu 17 000 pessoas pertencentes a famílias em que haviam surgido casos dessas doenças, irreversíveis. "Estudamos os riscos de os filhos serem portadores", explica. Mayana criou a Associação Brasileira de Distrofia Muscular (Abdim) para ajudar crianças carentes. Agora, busca recursos para comprar aparelhos respiratórios destinados às crianças acolhidas lá. "É uma luta, mas elas nos dão aulas de coragem."