Notícia

O Sul

A pessoa magra, mas com "barriguinha", também corre risco de sofrer doenças cardiovasculares

Publicado em 19 janeiro 2019

Gente que se considera em forma – o magro com uma barriguinha, que não vê problemas em sua condição — pode estar sob risco de doenças cardíacas e metabólicas por conta da gordura localizada no abdômen. O alerta é de um grupo de pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista).

Em trabalho publicado na revista acadêmica “Scientific Reports”, editada no Reino Unido, os integrantes da equipe estabelecem um novo padrão de avaliação de risco, baseado somente na relação entre a cintura e estatura do indivíduo.

Liderado pelo professor Vitor Valenti, da Unesp de Marília (SP), o estudo investigou homens com idades entre 18 a 30 anos e que se consideravam fisicamente ativos, não apresentavam sobrepeso e nem tinham histórico de doenças metabólicas (como diabetes) ou cardiovasculares.

Os cientistas viram que aqueles com um índice de relação cintura-estatura mais alto tinham menor capacidade de recuperação pós-esforço e uma resposta mais lenta dos mecanismos do sistema nervoso autônomo associados a doenças cardiovasculares.

Já se sabia que pessoas com excesso de gordura no abdômen apresentavam risco aumentado de doenças cardiovasculares. A novidade do estudo foi dissociar esse acúmulo abdominal do sobrepeso e mostrar que a relação entre a medida da cintura e a altura de um indivíduo constitui por si só um indicador de risco.

A medida da cintura é tomada na altura da última costela. E o cálculo é feito pela divisão da circunferência da cintura pela altura da pessoa. Até agora, se considerava saudável uma pessoa com resultados de até 0,5. O estudo indicou que resultados de 0,45 a 0,5 são arriscados, ressalta Valenti.

Índice de Massa Corporal

O grupo da Unesp analisou 52 homens com IMC (índice de massa corporal) entre 20 e 25, isto é, dentro da faixa de normalidade. Todos diziam fazer atividade física com regularidade, porém, sem intensidade (por exemplo, um jogo de futebol no fim-de-semana).

“Para quem tem gordura localizada na barriga e não faz exercício com regularidade, jogar de futebol só no fim de semana pode ser perigoso porque o corpo não tem boa capacidade para responder ao esforço súbito e excessivo”, alerta Valenti, cujo estudo foi realizado em parceria com cientistas da Oxford Brookes University, na Inglaterra, em um projeto apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

De acordo com ele, a relação cintura-estatura é mais sensível do que o IMC porque este é muito geral. A gordura localizada no abdômen é considerada a pior de todos os tipos de adiposidade porque se acumula à volta dos órgãos e tem atividade metabólica. Ela libera ácidos graxos nas vísceras e danifica as células. Está associada ao câncer, a doenças metabólicas e cardiovasculares, além de demências.