Notícia

Jornal da USP

A parte da FEA-RP no Programa

Publicado em 22 novembro 1999

Entre os 61 projetos aprovados pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), dentro do Programa de Políticas Públicas, 25 são da Universidade de São Paulo e desses somente um é do campus de Ribeirão Preto: Projeto de Estabelecimento de uma Política Institucional de Monitoramento da Autogestão das Cooperativas do Estado de São Paulo. O trabalho é coordenado pelo professor Sigismundo Bialoskorski Neto, do Departamento de Economia, com a participação de outros dois docentes, Edgard Monforte Merlo, da Administração, e João Marino Júnior, da Contabilidade. A Fapesp está financiando projetos com o objetivo de gerar conhecimentos que colaborem para a solução de problemas sociais a serem realizados em parceria com as instituições, governamentais ou não, responsáveis por seu traçado e execução. Segundo Bialoskorski, o projeto de Monitoramento da Autogestão das Cooperativas é multidisciplinar, envolvendo as áreas de administração, contabilidade e economia, e tem como parceiro a Ocesp (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo), o que rendeu-lhe elogios na cerimônia de anúncio dos projetos aprovados, pois é um dos poucos que não têm empresa pública na parceria. A base do projeto é um programa já aplicado no Paraná e consiste em dar aporte metodológico para análise dos dados nas áreas financeira, administrativa e econômica das cooperativas do Estado de São Paulo. O pesquisador explica que o empreendimento cooperativo é um importante meio de criação de emprego, bem como um instrumento de distribuição de renda no meio urbano e rural, que cresce em importância em decorrência da crise econômica atual e dos níveis de desemprego. Mesmo tendo obtido a autogestão, o cooperativismo ainda não conta com um meio eficaz de proceder seu autocontrole. Atualmente o governo está implantando o Programa de Revitalização das Cooperativas de Produção Agropecuária - Recoop, que além de proporcionar o requacionamento das dívidas obriga as cooperativas a um plano de reorganização de sua gestão. Por outro lado, a constituição de novas cooperativas, principalmente as de trabalho e habitação no meio urbano, bem como o crescimento das cooperativas de crédito apoiadas pela constituição dos novos Bancos Cooperativistas, obrigam a Ocesp a estabelecer um abrangente programa de monitoramento dos empreendimentos cooperativistas no Estado, e aí entra o projeto proposto pela FEA-RP, conta Bialoskorski. OUTROS PROJETOS Outros dois projetos aprovados pela Fapesp, coordenados por docentes da FEA de São Paulo, têm a participação de docentes do Departamento de Economia da FEA-RP. Um deles, encabeçado pelo professor Isak Kruglianskas (FEA-SP), conta com a participação dos professores Edgard Monforte Melo (Administração FEA-RP), Maísa de Souza Ribeiro (Contabilidade FEA-RP), Roberto Guena de Oliveira (Economia FEA-RP) e trata da integração de serviços urbanos na Sabesp. No outro, do professor Flávio Azevedo Marques de Saes (FEA-SP), a participação é dos professores Rudinei Toneto Júnior, Amaury Patrick Gremaud e Márcio Bobik Braga (todos da Economia FEA-RP). O grupo tem ainda a parceria do Banco do Povo de Santo André e pretende estudar as potencialidades de uma instituição de microcrédito. A pesquisa Estudo piloto para avaliação dos custos/benefícios associados ao tratamento integrado de água, esgotos e lixo pela Sabesp, desenvolvida pelos docentes da FEA, visa a ajudar na construção de uma metodologia de análise e estudo da administração integrada dos resíduos sólidos e dos recursos hídricos. Os pesquisadores explicam que excluindo-se os resíduos industriais, responsabilidade do próprio gerador, os demais necessitam ser avaliados e tratados de forma a gerar uma possibilidade de incorporação de seu tratamento e deposição de forma econômica. Entretanto, muitas questões devem permear esta análise como tarifação, as diferentes destinações e custos originados com o lixo urbano e finalmente os custos benefícios resultantes de um tratamento eficiente destes resíduos. A Sabesp, por outro lado, desde sua constituição foi caracterizada como empresa de saneamento ambiental e como tal, até então, tem-se preocupado com a gestão de água e esgoto das cidades paulistas. Entretanto, os resíduos sólidos ainda não foram objeto de um trabalho mais exaustivo por parte da empresa. A Sabesp utiliza um sistema de gestão de seus recursos através das baciais hidrográficas, que servirá como referencial para a reflexão destas análises, por se constituírem em unidades estratégicas da empresa. BANCO DO POVO Microcrédito: Experiências e Potencialidades é o título de outro trabalho idealizado pelos docentes da FEA e escolhido pela Fapesp. O agravamento dos problemas relacionados com a pobreza e a geração de emprego no Brasil fizeram com que se iniciassem as primeiras experiências com instituições de microcrédito. Vários municípios e regiões do Estado estão pretendendo criar estas instituições, a exemplo da cidade de Santo André. Os pesquisadores pretendem estudar e avaliar a experiência já existente, o que consideram de fundamental importância para facilitar esta difusão e contribuir para que a implementação e organização dessas instituições se faça da maneira mais adequada. O problema da seleção e a exigência de garantias, assim como os custos de transação existentes na intermediação de recursos, praticamente excluíam a população de baixa renda das análises de créditos. As operações financeiras não eram possíveis devido ao elevado risco de inadimplência e aos custos operacionais em relação ao volume da operação e, ainda, por não ser considerado um instrumento adequado para colaborar com o desenvolvimento, ou para a superação da pobreza. Mas algumas experiências iniciadas na Ásia e na África, com a criação de sistemas de financiamento voltados exclusivamente para populações de baixa renda, não só se mostraram viáveis do ponto de vista do custo operacional e da baixa inadimplência como contribuíram para melhorar as condições de vida das comunidades envolvidas, frisam os autores.