Notícia

Gazeta Mercantil

A marca do IAC nas lavouras brasileiras

Publicado em 27 junho 2006

Seu orçamento sempre foi apertado. Não ano passado, não passou de R$ 23 milhões, valor que se somou aos recursos angariados nas instituições de fomento à pesquisa e que em 2005 ficou em R$ 12 milhões. Mesmo assim, algumas das principais culturas brasileiras levam a marca do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que completa hoje 119 anos. A instituição foi criada ainda no tempo do império para atender as necessidades do barões do café, cuja terras se degradavam rapidamente por falta de nutrientes.
Desde então, o IAC, ocupa importante papel na pesquisa dedicada ao desenvolvimento da Agricultura do País. Neste ano, é possível que os recursos destinados à pesquisa sejam um pouco mais elevados. O diretor-geral Orlando Melo de Castro do IAC conta com uma verba pelo menos 20% maior.
Suas principais contribuições foram à cafeicultura, à citricultura e à cultura da borracha no estado de São Paulo. Perto de 90% das variedades cultivadas nas lavouras brasileiras de café foram desenvolvidas pela instituição. No início era o bourbon amarelo ou vermelho, uma variedade de café que proporcionava uma bebida encorpada e saborosa. Mas por ser sensível a doenças, abriu espaço para o mundo novo, outra variedade desenvolvida pelo IAC com alta produtividade e também boa bebida. O porte elevado, no entanto, dificultava e encarecia a colheita, o que levou a instituição a oferecer como alternativa o catuaí, um cafeeiro que se mostrou capaz de produzir até 77 sacas por hectare.
A mesma trajetória seguiram as pesquisas para a citricultura. É do IAC o mérito de o Brasil ter sido o primeiro a desenvolver o genoma dos citros, a partir do genoma da Xyllela, a bactéria responsável pelo CVC ou amarelinho, que ameaça os laranjais paulistas. O estudo encontra-se na fase de montagem do banco de gens, através do qual será possível buscar meios para combater a bactéria.
A produção da borracha na região Centro-Sul tem origem na tentativa dos pesquisadores do IAC de adaptar a árvore originária da amazônia ao Vale da Ribeira. Para os pesquisadores, as condições climáticas eram semelhantes, mas o resultado foi um desastre. Para não perder o investimento, o IAC decidiu testar o desempenho da árvore no planalto. Hoje, os seringais paulistas ocupam área de 45 mil hectare e é uma cultura de melhor rentabilidade na região noroeste, lembra o diretor-geral do IAC.
Quanto ao feijão, o tipo carioca, o mais consumido no Brasil também foi desenvolvido no IAC. A variedade levou esse nome por causa das suas listas semelhantes às das calçadas da orla do Rio de Janeiro. Como as pragas mais comuns do feijão evoluem e criam novas formas de atacar as lavouras, a cada quatro ou cinco anos, o IAC lança novas variedades, mas resistentes e mais produtivas.
Mas a instituição não deseja viver apenas de sua história, segundo Castro. Há dezenas de pesquisa em andamento. Muitos delas em fase de avaliação em instituições de fomento, como a FAPESP, Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Entre os projetos em andamento está a da tangerina sem sementes, desenvolvido por Rose Mary Pio, pesquisadora nível VI do IAC. A fruta, com grande potencial para exportação, está sendo testada na região de Itapeva (SP) com o objetivo de criar renda adicional para pequenos e médios agricultores.