Notícia

CMI Brasil

A internet no Brasil: sua utilização política e controle autoritário

Publicado em 26 maio 2012

Por Lucas Patschiki, em PassaPalavra

A história da internet no Brasil e seu processo de privatização.

Neste artigo iremos abordar a entrada e expansão da rede mundial de computadores no Brasil, focando a utilização política da tecnologia como parte do processo de constituição da hegemonia ultraliberal [1] e a normatização e controle autoritário da rede através do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que reúne representantes dos exploradores do setor e do Estado para sua governança.

No Brasil, a internet chega graças a iniciativas isoladas de pesquisadores universitários pertencentes a instituições como a Fundação de Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) [2], que a partir de 1987 começaram a construir redes que os ligavam ao BITNET estadunidense [3] - estes pesquisadores e instituições posteriormente irão se intitular como "pioneiros" da rede no país (no mesmo molde dos pesquisadores estadunidenses e europeus), na tentativa de assim se afirmarem como agentes competentes para atuarem politicamente em todo o processo.

A rede só irá tornar-se objeto de uma política estatal específica em 1990, quando o Ministério da Ciência e Tecnologia lança a RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa), que irá construir o primeiro backbone nacional no ano seguinte. Em 1993 este backbone já conectava onze Estados da federação a velocidades mínimas de 9.600 bits por segundo, em grande medida impulsionados por investimentos feitos em relação à rede para organização da Conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente e o desenvolvimento em 1992 no Rio de Janeiro (mais conhecida como ECO 92).