Notícia

Jornal da USP

A informação ao alcance da pesquisa

Publicado em 30 maio 1999

A Fapesp acaba de lançar o Programa Biblioteca Eletrônica, que coloca à disposição das cinco universidades públicas localizadas no Estado de São Paulo 606 das mais importantes revistas científicas de uma editora especializada holandesa. Também universidades particulares poderão integrar o programa. Mais perto da informação científica Através do Programa Biblioteca Eletrônica (Probe) - que reúne as cinco universidades públicas localizadas no Estado-, pesquisadores paulistas têm acesso on-line às principais revistas científicas do mundo. Os pesquisadores paulistas têm agora um acesso muito mais fácil às informações científicas geradas em todo o mundo a cada mês. Lançado no dia 18 de maio pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o Programa Biblioteca Eletrônica (Probe) colocou à disposição das cinco universidades públicas localizadas no Estado - USP, Unicamp, Unesp, Ufscar e Unifesp - 606 das mais importantes revistas científicas publicadas pela editora holandesa Elsevier Science. Os artigos estão disponíveis na íntegra através da Ansp - a rede eletrônica administrada pela Fapesp que interliga os centros de pesquisa paulistas. Além das cinco universidades, integra o programa também o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme). "É muito difícil controlar a enorme quantidade de informação disponível atualmente", afirma a diretora técnica do Sistema Integrado de Bibliotecas (Sibi) da USP, professora Rosaly Favero Krzyzanowski, que coordena as entidades participantes do Probe, lembrando que no ano 2000 deverá haver no mercado cerca de um milhão de títulos de revistas científicas. "'Precisamos buscar novos meios de assinatura, que barateiem os custos e facilitem o acesso à informação. Nesse sentido, o suporte eletrônico é o meio mais viável." O Probe trará vários benefícios para a pesquisa científica no Estado. Até agora, as universidades só dispunham da versão impressa das revistas da Elsevier. Isso significa que, para ler a Food Chemistry - uma publicação da área de alimentos-, por exemplo, os pesquisadores interessados tinham de se dirigir à biblioteca que recebe a revista. Em todo o Estado, há dois assinantes da Food Chemistry - um da USP e outro da Unesp. Graças ao Probe, esses pesquisadores poderão acessar a revista do seu próprio computador e imprimir os textos que desejarem. Além disso, o programa colocará à disposição de cada universidade um número muito maior de publicações. Dos 606 títulos da Elsevier utilizados pelas cinco universidades, a USP assinava 452 revistas na versão impressa. Como diferentes unidades uspianas assinavam a mesma publicação, o número de assinaturas chegava a 617. Com o Probe, a USP passa a dispor de mais 154 títulos, além dos 452 que já assinava. A Unesp ganhou ainda mais. Assinante de 255 títulos da Elsevier, ela pode consultar agora mais 351 revistas. A Unicamp, a Ufscar e a Unifesp - esta junto com o Bireme - assinavam, respectivamente, 278, 46 e 58 revistas. Com o Probe, terão acrescentados ao seu banco de dados 328, 560 e 548 títulos. Estímulo e inovações O Probe não estará restrito às instituições que o compõem atualmente. Universidades particulares interessadas poderão integrar o programa. Além disso outras editoras - além da Elsevier - já estão sendo contatadas, a fim de que suas publicações também estejam à disposição da comunidade científica paulista. E o caso da Academic Press, uma editora norte-americana que, só para a USP, oferece 145 títulos. "Este é apenas o começo do trabalho, que deve ser ampliado para atender mais universidades", diz Rosaly. "Mas esse começo não seria possível sem a participação da Fapesp." "As bibliotecas das universidades paulistas estão entrando numa nova era com esse programa", afirma o diretor presidente da Fapesp, professor Francisco Romeu Landi, destacando a integração entre os pesquisadores proporcionada pelo Probe. Para ele, a iniciativa vai "unir competências", evitar esforços individuais e promover grandes avanços científicos. "A Fapesp está cumprindo o seu papel de estimular a comunidade científica e gerar inovações." A Elsevier Science é uma das maiores editoras de revistas científicas do planeta, responsável por 1.200 títulos eletrônicos. As 606 revistas incluídas no Probe foram escolhidas porque já eram assinadas pelas seis instituições integrantes do programa - o que demonstra a importância delas para os pesquisadores paulistas. E não só para eles, mas para investigadores de todo o mundo. Desses 606 títulos, 98% se encontram na Web of Science, a rede que relaciona os artigos, autores e revistas mais citados pela comunidade científica mundial. As 606 revistas eletrônicas à disposição dos pesquisadores paulistas contemplam todas as áreas do conhecimento. Podem ser consultadas, por exemplo, publicações como a Molecular Cell Research, a Behavioural Brain Research e o Bulletin of Mathematical Biology. Outros títulos disponíveis são Cement and Concrete Composites, Cardiovascular Research, Computers & Education, Corrosion Science, Journal of Public Economics e Scientia Horticulturae, por exemplo. Uma fase de transição O Probe vive atualmente uma fase de transição, que durará dois anos. Até 2001, a Fapesp dará o apoio necessário para que, depois, as instituições ligadas ao programa administrem sozinhas a iniciativa, sem a participação da fundação. Esse apoio inclui uma infra-estrutura de informática formada por um computador (US$ 200 mil)-, o software (US$ 180 mil) e mais as assinaturas eletrônicas dos 606 títulos da Elsevier. Nessa fase de transição, segundo o contrato feito com a Elsevier, as universidades continuarão assinando as revistas impressas, além de terem disponível a versão eletrônica, paga pela Fapesp. Os 606 títulos impressos custaram às universidades R$ 3 milhões em 1998. Em 1999 esses gastos serão de R$ 3,2 milhões e, em 2000, atingirão R$ 3,5 milhões. Por isso, as assinaturas dos títulos eletrônicos nessa fase serão mais baratas - algo em torno de R$ 460 mil, em 1999, e de R$ 500 mil, em 2000. Em 2001, ao encerrar a transição e caso seja do acordo dos participantes do programa, as universidades deixarão de fazer a assinatura das revistas impressas e usarão apenas as versões eletrônicas. Nesse caso, as revistas virtuais terão custos pouco inferiores aos preços pagos pelos títulos impressos. Os dois anos de transição servirão também para avaliar a aceitação de revistas eletrônicas pela comunidade científica. "E necessário analisar a qualidade das fotos e ilustrações, que para muitas áreas é fundamental", destaca a professora Rosaly. Ela lembra que pesquisadores das ciências exatas têm mais facilidades de aceitar a nova tecnologia do que cientistas de outras áreas do conhecimento. "Tudo isso será avaliado." Para o professor José Fernando Perez, diretor científico da Fapesp, o Probe vem complementar o esforço da Fapesp em disponibilizar informações científicas através de meios eletrônicos. Esse esforço foi iniciado no final de 1996, com a inauguração do Projeto Scielo (Scientific Eletronic Library Online), coordenado pelo Bireme com apoio da Fapesp. Atualmente, o Scielo disponibiliza 30 revistas científicas nacionais. "Temos que investir também nessa área, que facilita demais o trabalho dos nossos pesquisadores." ROBERTO C. G. CASTRO