Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

A importância da pesquisa no oceano

Publicado em 19 abril 2018

Os oceanos são ainda uma fronteira inexplorada. Apesar de representarem 71% da superfície terrestre, o conhecimento e a pesquisa sobre eles são muito limitados. São rota do transporte marítimo, responsável pela quase totalidade do comércio internacional, já que permitem deslocar cargas de maior tamanho e em maior quantidade com custos mais reduzidos que os demais sistemas, e também a base da indústria pesqueira, fornecendo alimentos para centenas de milhões de pessoas. Existe a possibilidade de aproveitamento dos recursos existentes no subsolo marinho, em grandes profundidades.

A exploração e produção de petróleo off shore já é uma realidade em todo o mundo, e no Brasil em particular, com o desenvolvimento das atividades na camada pré-sal, notadamente na Bacia de Santos. Mas há possibilidades de extração de outros minerais, como manganês, níquel, cobre e cobalto, que representam enormes oportunidades econômicas. Para que tudo isso ocorra, e as potencialidades dos oceanos se materializem, são necessários estudos e pesquisas aprofundadas. Outro ponto que merece a atenção dos cientistas e da comunidade internacional é a questão da poluição do mar: estimase que atualmente cerca de 25 milhões de toneladas de lixo sejam despejadas por ano nos oceanos de todo o mundo, comprometendo a vida marinha.

O cenário é assustador: segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), em 2050 pode haver mais plásticos nos mares do que peixes. O Brasil, com sua costa de grande extensão (cerca de 9.000 km), e uma grande área marítima sob a jurisdição nacional, compreendendo mar territorial, zona econômica exclusiva e extensão da plataforma continental, com aproximadamente 4,5 milhões de km*, precisa ter atenção redobrada em relação aos oceanos. As preocupações são estratégicas e visam ao desenvolvimento nacional, e exigem que sejam mobilizados recursos para a pesquisa permanente nos mares. Nesse sentido, causa preocupação que a expedição programada para o navio Alpha Crucis, do Instituto Oceanográfico da USP, cujo objetivo principal é estudar os impactos de mudanças climáticas nos oceanos, estivesse ameaçada.

Não se trata da falta de recursos os estudos são financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisado Estado de SãoPaulo(Fapesp)-e sim de complicações burocráticas. A greve dos servidores da Receita Federal que atuam no Aeroporto de Guarulhos e a demora na liberação de um documento pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo colocaram em risco o cruzeiro, cujo início foi mantido para amanhã tendo em vista ter sido desembaraçado na tarde de ontem. Para essa operação já foram investidos, sem contar gastos com combustíveis, mais de R$ 250 mil. Esse tipo de situação não poderia jamais ocorrer com expedições desse tipo. Há trabalho intenso e de grande valor científico envolvido em missões assim.