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Jornal de Jundiaí online

A importância da cultura nos projetos

Publicado em 15 agosto 1999

Por Renata Taffarello
A cultura e a qualidade do que faz de um projeto de reforma, construção ou mesmo decoração de uma casa são essenciais para o arquiteto jundiaiense Eduardo Carlos Pereira. "Beleza é uma palavra que eu nem uso e funcionalidade é algo natural, que não precisa nem ser discutido", diz. Baseado nestes conceitos é que o profissional, que tem 26 anos de experiência no ramo e é destaque em várias publicações nacionais, realiza seus projetos. Seu escritório, próximo ao Maxi Shopping, já é uma pequena mostra do perfil do arquiteto e do trabalho que desenvolve. Cultura e qualidade, ali, é o que não faltam. Só de entrar, a gente já sente um bem estar incrível e que, para ele, é exatamente o que o cliente precisa sentir em sua casa. Na opinião de Eduardo, muitas pessoas que querem construir ou decorar suas casas sem uma orientação adequada acabam cometendo vários erros. "Há uma ausência de informação cultural, de consistência, de qualidade; as pessoas precisam entender que decorar não é simplesmente sinônimo de enfeitar a casa", observa. "Arquiteto e cliente têm de ser amigos". Esta é a opinião de Eduardo sobre o relacionamento do profissional e da pessoa que vai estar em contato com ele durante um bom tempo. E é exatamente assim que acontece com a clientela do arquiteto. Segundo ele, .quem vai procurá-lo já conhece um pouco de sua linha de trabalho, de seu perfil. Esta interação entre cliente e arquiteto, para ele, é fundamental, pois o trabalho que está sendo realizado vai englobar a vida de pessoas. "O sonho do cliente como moradia é o objeto de meu trabalho", afirma. Os princípios que Eduardo se utiliza para a realização de seus projetos - cultura e qualidade -, na verdade, estão relacionados entre si. Ele afirma que quase tudo o que é utilizado nos projetos não é comprado pronto, mas é proveniente de produções mais artesanais. "Tenho uma boa lista de fornecedores que realizam trabalhos de qualidade", diz. Dessa maneira, a idéia de que quanto maior é a casa, maior o "status", para ele, não é válida. "Quanto melhor a casa, melhor o status", corrige. Quanto ao custo dos projetos, o arquiteto garante que os dele são, em média, 30% menores do que o convencional. Mesmo assim, ele lembra que, quando se pensa em orçamento para uma obra é preciso dividi-lo em duas partes: uma para a casa em si e outra para dentro da casa. "São coisas distintas", adverte. Experiência Eduardo é arquiteto desde 1973, mesmo ano em que fez a 12º Bienal Internacional de São Paulo (o único arquiteto de Jundiaí a participar). Depois deste período, ficou por 10 anos prestando colaboração ao professor Pietro Maria Bardi no MASP. Se cultura é algo intrínseco ao perfil profissional de Eduardo não é por menos. Ele realizou uma pesquisa sobre a história da construção em tijolos no Brasil, patrocinada pela Fapesp, para o livro "Cem Anos de Imigração Italiana". Com esta pesquisa, foi premiado, em 1979, pelo IAB - Instituto de Arquitetos do Brasil. O arquiteto frisa que seu trabalho é plural, eclético e complementa: "não faço uma coisa única; faço o que me interessa, o que acho que é bom".