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A IBM Brasil ingressa na era das tecnologias exponenciais

Publicado em 03 março 2020

- “A evolução tecnológica que o mundo viveu até a primeira década do novo milênio foi impressionante, mas o que estamos vendo agora é algo muito maior e nunca visto antes quanto ao seu impacto, abrangência e velocidade” — afirma Antonio (Tonny) Martins, presidente da IBM Brasil, em entrevista exclusiva ao Mundo Digital. Esta é a primeira parte da entrevista, na qual o executivo nos mostra que o mundo vive um novo e poderoso processo de mudanças tecnológicas. E explica:

“Quando combinamos a velocidade, capacidade de processamento, com algo de maior magnitude, capacidade de armazenamento, evolução da engenharia de software, metodologia, criação de novos algoritmos, com as tecnologias exponenciais e 5G, essa é uma conjunção revolucionária de fatores”.

Tonny Martins, presidente da IBM Brasil, concede entrevista exclusiva ao Mundo Digital

Seria esse o cenário da Quarta Revolução Industrial?

“Esse é o cenário que possibilita não apenas a Quarta, mas cria as bases para as futuras revoluções tecnológicas, com sólida base em três vertentes tecnológicas. A primeira é das tecnologias exponenciais, em que temos a Inteligência Artificial (IA) no centro dessa transformação. Mas se olharmos os grandes projetos disruptivos e inovadores, eles usam a IA, mas sempre acompanhada de outras tecnologias — como por ex. IoT, Analítica Avançada, Blockchaim, Robotização e outras.”

“Com essa primeira vertente com essas tecnologias, de modo que se possa recriar nossos modelos de negócios, ofertas de serviços, produtos, nossa forma de operar. O mais interessante é que, com a combinação dessas tecnologias e ao fazer bom uso delas, a empresa pode não apenas se reposicionar mas, também, recriar seu negócio.”

“Consegue-se algo que, no passado era muito difícil: a ultra personalização, ultra precisão, ultra assertividade, predição e escala. Essas áreas não necessariamente andam junto com a escala e com o crescimento. No passado, se falava nas dores do crescimento: a empresa crescia mas não necessariamente conseguia dar qualidade. Hoje, se consegue crescer muito, ser muito preciso, trazer mais qualidade, a um custo acessível. Em resumo: a primeira vertente é, então, a que chamamos de Inteligência Artificial e as tecnologias exponenciais.”

E a segunda vertente?

“É a da Computação em Nuvem. E hoje, temos o ponto de vista muito claro que essa computação nos possibilita usar o melhor da tecnologia sem ter que fazer investimentos significativos, na infraestrutura, na complexidade do passado e no custo de investimento.”

“E temos uma visão de que a evolução do que chamamos de Computação em Nuvem é o que estamos chamando aqui na IBM de sky computing. Porque, na verdade, em lugar de uma nuvem, nós podemos ter múltiplas nuvens. Ou seja, as empresas não vão utilizar apenas uma nuvem, mas vários provedores de nuvens. Serão nuvens híbridas, ou seja, com diferentes tipos de computação, como edging computing — com nuvens públicas e nuvens privadas. Elas serão abertas e gerenciadas. E terão que ser seguras.”

“Em síntese: nessa segunda vertente é a computação em nuvem ou sky computing, múltiplas nuvens, abertas, gerenciadas e seguras, que vão nos vão possibilitar que tenhamos cada vez mais capacidade computacional, flexível e de uma forma dinâmica.”

E como será a terceira vertente?

“A terceira vertente é a da Computação Quântica — algo que a IBM saiu na frente, com o computador quântico de 53 Qbits, que é, na realidade, uma revolução computacional. Com ele, foi repensada a computação tradicional dos zeros e uns, ou bits. A Computação Quântica, com os Qbits, nos oferece capacidades de armazenamento e de processamento infinitamente maiores, ideais para determinados trabalhos.

Com a chegada Computação Quântica, podemos prever que a computação clássica vai desaparecer?

Não. Em minha opinião, a Computação Clássica nunca vai desaparecer, mas quando se trata de cálculos de algoritmos complexos, manipulação de volumes absurdamente grandes de dados estruturados e não-estruturados, cálculos científicos e coisas muito próximas de nosso tema de Inteligência Artificial, nesses casos todos, a Computação Quântica nos dá uma capacidade de processamento infinitamente superior.

A IBM já tem em sua nuvem, para alguns clientes, uma série de serviços de Computação Quântica e que são oferecidos gratuitamente, como demonstração.

Em sua avaliação, qual é a perspectiva de tempo para a maturação da Computação Quântica, para que ela se torne disponível para as maiores empresas, universidades e laboratórios do mundo?

Nossa previsão é de três a cinco anos. E essa é uma corrida que já decorre de contratos de trabalho. Tanto assim, que temos capacidade de Computação Quântica. E um dos nossos grandes desafios será não apenas a disponibilização, mas, também, a formação de profissionais. Hoje, temos a programação clássica, em álgebra booleana, mas para a computação quântica teremos que formar programadores e operadores. Assim, vamos precisar de mão de obra qualificada, o que aumenta ainda mais nosso desafio. E isso tudo está em aberto.

Voltando um pouco à Internet das Coisas, de que maneira a IBM estará participando dessa tecnologia?

Como vimos, IoT está no grupo das tecnologias exponenciais, no campo da Inteligência Artificial, juntamente com Analítica Avançada, Blockchaim, Robotização e outras. Lembro neste ponto que a IBM tem múltiplos casos em que a empresa tem investido aqui no Brasil em várias iniciativas, para preparar nossas equipes e na de nossos clientes, para dominar todos esses avanços tecnológicos.

Quando a gente olha, por ex., esse trio Inteligência Artificial, Internet das Coisas e Blockchain, a IBM investiu no primeiro centro de pesquisas de Blockchain na América Latina, que se tornou referência. Em outubro de 2019, a IBM anunciou o primeiro registro de recém-nascido no Brasil por meio da tecnologia Blockchain, ocorrido no Rio de Janeiro. O processo pioneiro, que seguiu normas e procedimentos legais, foi possível graças à rede Notary Ledgers da Growth Tech, que fornece serviços cartoriais digitalmente, com o uso do IBM Blockchain Platform na IBM Cloud.

E temos em convênio com a USP e FAPESP, nosso primeiro Centro de Pesquisa em Engenharia em Inteligência Artificial do Brasil, IoT, Blockchain, Analítica Avançada e Robotização. Esse centro será o mais avançado do Brasil nessa área. As pesquisas serão aplicadas a diferentes segmentos do mercado, com focos em recursos naturais, agronegócio, meio ambiente, finanças e saúde, criando avanços científicos significativos e formando pesquisadores e profissionais em IA.

E o terceiro investimento foi em Cloud Computing. A IBM anunciou este ano que vamos ter a nova região de Cloud –que é será o sétimo Centro de Computação da IBM no mundo, mais moderno e mais avançado em Nuvem no Hemisfério Sul. Elevamos nossa capacidade, mais performance, mais escalabilidade, e esse

E há mão de obra disponível no Brasil para esse nível de trabalho?

A IBM está formando, com uma série de iniciativas, como por exemplo, em conjunto com o Centro Paula Sousa e o governo do Estado de S. Paulo, na formação de recursos técnicos. O Brasil precisa formar mais técnicos, a partir do ensino de segundo grau.