Notícia

Gazeta Mercantil

A genética chega à maturidade

Publicado em 27 junho 2000

Quatro frações de proteínas, batizadas A, T, C e G das iniciais que ostentam em inglês, formam a essência da vida. Combinadas em seqüências de pares, nas quais a posição dos ingredientes no espaço tridimensional é tão importante quanto o encadeamento químico que mantém seus elétrons alinhados, formam o DNA, ácido desoxirribonucléico, que por sua vez envelopa os cromossomos que garantem a identidade das espécies e, naquelas consideradas mais elevadas porque intrincadas, a singularidade de cada ser. Difícil no conceito, etereamente inatingível para quem não domina matemática avançada, a genética comemora hoje a revelação do primeiro rascunho completo do genoma humano. Isto quer dizer simplesmente que existe uma lista dos 3 bilhões de seqüências que constituem os 100 mil genes organizados nos 24 cromossomos de cada uma das células de um primata de grande porte, o Homo sapiens, tipo que inventou esta pesquisa toda. Impresso como as listas telefônicas, o resultado desse trabalho produziria 200 mil páginas de letras sem intervalo. Cerca de metade desses pares de frações protéicas é incluída na categoria dos "saltadores", ou seja, mudam de posição espontaneamente ou induzidos. Engenharia genética é precisamente a atividade de espicaçar as propriedades saltadoras, modificando o indivíduo. Delicada por natureza, tal especialidade causa horror quando mira uma célula humana. Mas está na base de um negócio, economias no inglês dominante, que procura matéria viva com maior valor de mercado. O mapeamento do genoma desse petulante bípede vivente que gosta de xeretar mistérios da vida envolveu verbas e laboratórios dos países citados a seguir em ordem alfabética porque deles é o reino da próxima vaga econômica: Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia, Dinamarca, Estados Unidos, Israel, Itália, Japão, México, Holanda, Rússia e Suécia. Nosso Brasil figura em tão ilustre companhia graças ao financiamento público da pesquisa pelo governo paulista. Espera-se que haja aproveitamento dos resultados e que esses sejam feitos para o bem. Acelerada nos últimos meses, a reorganização mundial da indústria automotiva segue cada vez mais as linhas de força criadas por alianças tecnológicas históricas. Assim, a Daimler-Chrysler bate na Hyundai coreana pelo viés da Mitsubishi, velha parceira da Dodge. A Renault articulou-se com a Nissan e, no passo lógico seguinte, usou esta conexão para absorver a Samsung, também coreana. Enfim, o bloco General Motors-Fiat se apresenta unido para o leilão da Daewoo, que sempre usou plataformas com sotaque Opel. O competidor nessa parada é a Ford, que já é também Jaguar, Volvo e Mazda. Das grandes, restam solitárias a Toyota e a Volkswagen. Parecem desenhados, portanto, os seis pólos para carros de passeio antevistos faz vinte anos Dela McKinsey.