Notícia

Folha de S. Paulo (Campinas)

A física entre a ciência e a arte

Publicado em 05 abril 2011

Por Estêvão Bertoni

Amélia ia à rua Maria Antonia desde criança, porque fora aluna do liceu Rio Branco. Quando o prédio 294 tornou-se USP, Amélia Império Hamburger continuou indo ao local para fazer faculdade.

Ali, a paulistana, filha de um ourives e de uma dona de casa, deu início à carreira de física e conheceu o marido, Ernst Wolfgang Hamburger, da mesma turma dela. Os dois se formaram em 1954.

Dois anos depois, ela se mudou com o marido para os EUA, onde fez mestrado na Universidade de Pittsburgh. Alguns anos depois, em 1967, faria o pós-doutorado.

Da USP ela foi professora por mais de 40 anos. Também ajudou na criação da Sociedade Brasileira de Física.

Como conviveu com os pioneiros da física no país, decidiu trabalhar na preservação da memória científica.

Organizou dois livros sobre a história da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa de SP) e, em 2010, venceu o Jabuti com um livro sobre um antigo professor seu: "Obra Científica de Mario Schönberg: Vol. 1". O volume 2 deve sair este ano.

Por influência do irmão, Flávio Império (1935-1985), arquiteto, cenógrafo e artista plástico, tinha um lado artístico forte -escrevia poemas.

Segundo a família, Amélia foi libertária inclusive na criação dos filhos. Todos eles têm trabalhos relacionados à arte, como Cao, diretor do filme "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", e Esther, professora da ECA.

Nos últimos seis anos, lutou contra um câncer. Morreu na sexta, aos 78, deixando viúvo, cinco filhos e seis netos. Foi velada no prédio da USP, na Maria Antonia.