Notícia

A Tarde (BA)

A Fapesp comemora 40 anos

Publicado em 30 junho 2002

Por Roberto Santos
Não são muitas as instituições brasileiras que se orgulham de haver contado ao longo de 40 anos, quase sem interrupção, com sucessivas gestões altamente eficientes e progressistas. Merece, pois, o aplauso irrestrito dos brasileiros a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo, cujo funcionamento se iniciou no dia 23 de maio de 1962, graças à visão que teve o governador Carvalho Pinto do que seria o futuro do seu Estado. Criada pelo governo paulista para apoiar trabalhos de pesquisa científica e técnica realizados naquele Estado, poderia caber a indagação: até onde se justifica estarmos nos ocupando de uma instituição cuja atividade não se estende, aparentemente, ao nosso território? Logo responderemos: será a Royal Academy, de Londres, uma instituição exclusivamente inglesa, ou caberá a todo o mundo científico celebrar o extraordinário papel que desempenhou no progresso da ciência? Será que a National Science Foundation ou os National lnstitutes of Health devem considerar-se norte-americanos no sentido restritivo da expressão? Não nos cabe, então, reconhecer o mérito do que lhes foi dado realizar fomentando as ciências e, particularmente, as ciências da Saúde? Mais do que exclusivamente paulista, a Fapesp é, merecidamente, brasileira. Nada melhor para justificar este entendimento do que citar alguns estudos por ela patrocinados. O Projeto Genoma é o que, de todos e até agora, adquiriu maior visibilidade. Consistiu no mapeamento genético da bactéria Xylella fastidiosa que ataca os pés de laranja. Para a sua execução, 192 cientistas trabalharam em 25 laboratórios brasileiros sob uma só coordenação. Graças à experiência adquirida nesse projeto, os nossos cientistas estenderam seus trabalhos às áreas da genética e da biologia molecular referentes à cana-de-açúcar e ao câncer. O Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe) propiciou a mais de 200 dessas entidades a transformação de conhecimentos e idéias em produtos, mediante o financiamento a fundo perdido de pesquisas desenvolvidas dentro das próprias empresas. Mostra a experiência de outros países, que pode ser mais fácil implantar novas tecnologias em empresas menores e mais ágeis, do que em grandes corporações onde é mais lenta e difícil a difusão de inovações. O projeto Biota está inventariando e caracterizando toda a biodiversidade do Estado de São Paulo. Os conhecimentos adquiridos graças a esse projeto assegurarão a melhor definição de políticas públicas relativas à conservação e ao uso sustentável do patrimônio ecológico de São Paulo e do Brasil. O Programa de Tecnologia da Informação no Desenvolvimento da Internet Avançada (Tídia) destina-se ao estudo de redes velozes de comunicação digital. O Programa de Pesquisa em Políticas Públicas já apoiou mais de 160 projetos que estabelecem parcerias entre órgãos de saúde, ensino, segurança, preservação do meio ambiente, relações de emprego e de outras atividades com elevada prioridade para os poderes públicos. O Programa de Apoio à Propriedade Intelectual tem como objetivo orientar e auxiliar os pesquisadores na defesa da propriedade intelectual dos inventos resultantes de pesquisas financiadas pela Fundação. O Programa de Incentivo ao Jornalismo Científico visa estimular a formação de profissionais especializados nesse gênero de comunicação, de enorme importância para a compreensão adequada, pela população cm geral, do significado dos trabalhos de Ciência e Tecnologia. O Programa de Infra-estrutura de Pesquisa investiu mais de US$ 400 milhões na recuperação de laboratórios, museus e outros instrumentos de apoio à pesquisa técnica e científica. O Programa da Biblioteca Eletrônica (ProBE) apóia uma biblioteca virtual de textos completos de artigos de periódicos científicos internacionais. Não se esgota aqui a relação dos projetos e programas que se têm beneficiado com o apoio da Fapesp. Várias outras unidades da nossa Federação têm reconhecido na Fundação paulista um exemplo a ser seguido, desde que cumpridas as adaptações indispensáveis em semelhantes situações. O Brasil todo tem, pois, motivos de sobra para aplaudir as realizações da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo e fazer votos para que continue a servir de modelo perante todo o nosso País. Roberto Figueira Santos é professor titular e ex-reitor da Ufba e ex-governador da Bahia