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O Povo online

A experiência da Unicamp

Publicado em 30 outubro 2007

A Unicamp foi uma das Instituições contempladas pela Fapesp, e passou a concentrar esforços para a criação de um Centro de Animais Padronizados

Em 1979, foi inaugurado o Biotério Central da Unicamp, cujo objetivo era produzir e fornecer os modelos animais utilizados na docência e pesquisa da universidade. Porém, o mesmo apresentava instalações convencionais, sem equipamentos ou sistemas de barreiras.

Em meados da década de 80 este panorama começou a se modificar, devido à pressão de pesquisadores e de Sociedades Científicas, que encontravam dificuldades na publicação dos resultados de pesquisa enviados a revistas internacionais, em razão da qualidade dos animais utilizados. A principal conseqüência deste movimento foi à obtenção do apoio da Fapesp para a instalação de um programa de reestruturação de Biotérios de Produção. Desta forma, em 1985 a Fapesp criou o programa CEMIB - Centro Multi-Institucional de Bioterismo, um programa ousado para a época visto que, a defasagem entre o que se produzia em Ciência de Animais de Laboratório nos países desenvolvidos e o que se podia realizar no Brasil, era superior a 5 décadas.

A Unicamp foi uma das Instituições contempladas pela Fapesp, e passou a concentrar esforços para a criação de um Centro de Animais Padronizados. As estratégias iniciais constaram da visita de consultores da Alemanha, França e Inglaterra, especialistas na produção e controle de animais livres de patógenos específicos (animais SPF). A partir das considerações destes profissionais, as ações foram direcionadas para a adequação física das instalações; para a implantação de um sistema de barreiras contra contaminação e contratação e capacitação de recursos humanos, objetivando a instalação das tecnologias necessárias à produção de animais certificados para a experimentação, adotando os critérios estabelecidos internacionalmente.

A partir do incremento tecnológico foi possível desenvolver programas de pesquisa internacionais. Estes programas viabilizaram a criação de uma infra-estrutura científica com reflexos: nas áreas de criação de animais instaladas com sistemas de barreiras; na instalação dos laboratórios de Controle de Qualidade Animal: Sanitária, Ambiente, Genética e Criopreservação de Embriões Murinos.

Assim sendo, em 1997, o Cemib tornou-se um Centro de Referência do Iclas - International Council Laboratory Animal Science para Monitorização Sanitária. Em 2007, o Cemib passou a ocupar a categoria de Membro Científico do ICLAS e integrar a rede internacional - (ICLAS Network for Promotion of Animal Quality in Research) junto com outros Centros de Referência do mundo. O Cemib participa da política global do ICLAS que visa à harmonização internacional da qualidade dos animais e o uso ético na pesquisa biomédica. O Centro atua também como agente multiplicador para a difusão de conhecimentos na área da ciência de animais de laboratório no Brasil e na América do Sul.