Notícia

Gazeta Mercantil

A expansão do mapeamento genético

Publicado em 18 dezembro 2001

Por Andréa Guimarães - de Brasília
A primeira etapa do projeto Genoma Brasileiro, que mapeou o conteúdo genético da Chromobacterium violaceum, encontrada em regiões tropicais, foi encerrada oficialmente ontem. Há um ano foi implantada uma rede de 25 laboratórios e centros de pesquisa em todo o Brasil para seqüenciar a bactéria. O professor-doutor Andrew Simpson, do Instituto Ludwig de Pesquisa para o Câncer, foi o coordenador dessa fase da pesquisa. O ministro de Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, se mostrou satisfeito com andamento do trabalho. "Os pesquisadores cumpriram o prazo estipulado, mesmo depois que se descobriu que a tarefa era mais ampla do que o estipulado", afirma. Financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o projeto custou cerca de R$ 10 milhões. Os laboratórios receberam seqüenciadores totalmente automáticos importados pelo CNPq. Do Centro-Oeste, participaram três laboratórios: o de Biotecnologia Genômica, da Universidade Católica de Brasília (UCB), o de Ciências Biológicas, da Universidade Federal de Goiás (UFG) e o de Biologia Molecular, da Universidade de Brasília (UnB). A Chromobacterium violaceum foi isolada no rio Negro, na Amazônia, e não causa nenhum tipo de doença em humanos. Ela produz um pigmento chamado violaceína, com alto poder bactericida. Acredita-se que ela possa ser usada no tratamento da doença de Chagas, leischmaniose e de alguns tipos de câncer, principalmente o bucal. Outro potencial da bactéria é na produção de plástico biodegradável. Isso porque, em seu metabolismo, ela fabrica alguns tipos de polímeros, que, sintetizados, poderiam ser utilizados na fabricação de plástico. A última hipótese é que a bactéria sirva como um corrosivo de rochas e substitua o mercúrio na extração de ouro. REFLEXO A iniciativa do MCT em financiar um programa de seqüenciamento genético surgiu depois da grande repercussão internacional que teve o seqüenciamento da Xylella fastidiosa, bactéria que ataca a laranja, feito por pesquisadores paulistas financiados pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A pesquisa foi publicada na revista científica Nature, uma das mais prestigiadas do mundo. A partir de agora, cada um dos 25 laboratórios que participou da rede poderá escolher que aspecto da bactéria quer desenvolver. Segundo o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ésper Abrão Cavalheiro, os grupos poderão escolher aquela característica da bactéria em que têm mais experiência ou interesse em pesquisar. "Um lado interessante do trabalho foi que nós integramos vários pesquisadores de todo o Brasil, o que se transformou em uma nova forma de estimular a pesquisa", acrescenta.