Notícia

Revista da Semana

A esperança da lavoura

Publicado em 21 agosto 2008

Os transgênicos são a solução para a crise?

Os argumentos contrários aos alimentos geneticamente modificados vão aos poucos caindo — e sua produção, aumentando. De 2006 para 2007 as áreas de transgênicos plantadas no mundo inteiro cresceram 12%. A extensão total desse tipo de lavoura chega a mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, ou uma Colômbia inteira. No Brasil o aumento dos cultivos, de um ano para cá, foi de 30%. A maior parte é de soja, principal commodity agrícola brasileira. A safra da cultura deve atingir este ano a marca histórica de 60 milhões de toneladas, diz a revista Pesquisa Fapesp.

Os alimentos transgênicos são chamados pelos ambientalistas de Frankenfood, trocadilho com as palavras Frankenstein e food, comida em inglês. As principais criticas, no entanto, não resistem às pesquisas científicas. Sete academias nacionais de ciência e inúmeros estudos independentes não encontraram até agora nenhuma evidência de risco para a saúde, afirma a Economist. Os transgênicos, sabe-se agora, oferecem vantagens ambientais. Os cultivos precisam de menos água, crescem em solos menos férteis e são mais resistentes às pragas.

Mesmo com tantas vantagens fica uma indagação: os transgênicos podem ser a solução para a atual crise de alimentos do mundo? A primeira revolução verde começou nos anos 1950, com as pesquisas de melhoria de se mentes e de pesticidas. Esta pode ser a segunda revolução verde? Para a Slate, ainda não. E preciso ampliar os benefícios proporcionados pelas novas tecnologias. As pesquisas estão centradas em sementes de interesse para as grandes corporações. Milho, soja, algodão e canola respondem por 85% da produ ção. Para as comunidades mais pobres seriam de maior utilidade produtos mais baratos, nutritivos e próprios de culturas localizadas, como mandioca, castanha de caju e sorgo.