Notícia

Jornal da USP online

A escalada da Chikungunya nas Américas: 3,7 milhões de casos em uma década (122 notícias)

Publicado em 24 de janeiro de 2024

Gazeta de S. Paulo online Mirante da Bocaina Rádio Sagres 730 AM Saense Gazeta dos Municipios online Tá no site BVS SES-SP - Biblioteca Virtual em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo Guia Limeira O Diário do Vale TV Pampa Suzano TV Portal da Cidade (Louveira, SP) Blog do HP Informa1 Policiamento Inteligente Notícia de Limeira Direto ao Ponto Bomba Bomba Portal Nine DF na Mídia MS em Foco Caderno Político Infofix Sala da Notícia Portal Chapada Grande Osvaldo Batista Manezinho News TV Interbam Jaguariaíva em Foco Portal Altônia O Repórter Regional online J1 Notícias Jornal Tabloide online (Cotia, SP) Blog O Cubo Gazeta Costa Sul Roraima na Rede Rádio Pampa FM 97,5 Garça em Foco Transmitindo Portal NA - Nécessaire Affaires Cidadão Jacareiense Corumbaíba Noticias FocoNews Rede 1 Notícias Gazeta Nacional Viva Pariquera Cidade na Rede LN21 Itaquera em Notícias Mauá Agora! Bom dia Sorocaba Portal do Viola News Portal Globo Cidade Portal WR News Mais Top News Casa da Maria Mandú Notícias em Rede Portal Toca News São Roque ON Jornal do Belém Market Insider Viu isso aqui? Horto Mídia A Gazeta de Rondônia Digital Click Itapema Canal da Utopia Mais Sampa Iporã 24 horas Rio Verde News JORNAL ALEF Alto Tietê Agora VGNEWS A Página Regional NOVAS DO DIA Sanca TV Jornalismo CG NOTÍCIAS Folha Centro Oeste Jornal do Interior Portal Corrente em Ponto Carioca de Suzano Jornal Da Max THAP Notícias O Jornal (Rio Claro, SP) Vamos adiante A redação RJ Giro 1 online Difusora Mais 104.7 FM leituradigitalpb.com.br Portal VV8 Mundo Music AW TV News

Artigo ressalta a atual situação epidemiológica da febre chikungunya nas Américas e discute perspectivas para futuras pesquisas e estratégias de saúde pública para combater o vírus

O artigo Chikungunya: a decade of burden in the Americas , recém-publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas, ressalta a atual situação epidemiológica da febre Chikungunya nas Américas e discute perspectivas para futuras pesquisas e estratégias de saúde pública para combater o vírus (CHIKV) causador da doença. Em um trabalho de fôlego, renomados cientistas de diversos países mapeiam a disseminação do vírus, mostrando que a doença já conta 3,7 milhões de casos confirmados em 50 países ou territórios da região, entre 2013 e 2023. A professora Maria Anice Mureb Sallum, do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, é uma das autoras do trabalho.

De acordo com o texto, os primeiros casos autóctone (de origem no local) do vírus Chikungunya na região foram registrados na ilha de São Martinho, em dezembro de 2013, e rapidamente se espalharam pelas Américas, causando epidemias até os dias atuais. No artigo, diversos gráficos ilustram o histórico de disseminação do vírus, trazendo um apanhado das epidemias e locais de ocorrência.

Desde 2016, o Brasil é considerado o epicentro das epidemias de chikungunya nas Américas, com 1,6 milhão de casos registrados, enfrentando surtos anuais da doença, segundo o artigo. Uma das razões para essa eminência do vírus no país é o grande número de pessoas suscetíveis, o clima adequado e a abundante presença do vetor do vírus – o mosquito Aedes aegypti. Contudo, a espacialidade da distribuição da doença e do vírus está condicionada à heterogeneidade do território brasileiro.

De acordo com o estudo, ao manter a circulação prolongada do CHIKV, o Brasil tem potencial de se tornar uma fonte de disseminação do vírus para novas regiões geográficas com grandes populações suscetíveis. Algumas regiões podem tornar-se mais suscetíveis a surtos devido às alterações climáticas, incluindo a América do Norte, a Europa e outros países da região do Cone Sul da América do Sul. Além disso, existe o risco de reintrodução em áreas anteriormente afetadas, onde ainda podem existir populações suscetíveis. Por exemplo, o Paraguai, um país com uma população de 6,7 milhões de habitantes, notificou 85.889 casos de Chikungunya em 2023. Da mesma forma, a Argentina notificou 1.336 casos de Chikungunya em 2023, após um hiato de seis anos desde sua primeira epidemia em 2016.

O texto ainda menciona algumas medidas que poderiam ser tomadas para diminuir o impacto do vírus nas Américas, como a vigilância molecular contínua, o diagnóstico imediato e o tratamento adequado da febre do chikungunya e de outras doenças intermediadas por mosquitos; um melhor monitoramento da evolução e propagação do CHIKV através de dados genômicos e sorológicos; uma melhor compreensão da dinâmica de transmissão espaço-temporal do CHIKV em múltiplas escalas geográficas; novas abordagens para o controle dos vetores e para a redução da capacidade vetora dos mosquitos para a transmissão do CHIKV e a a distribuição de vacinas para as populações em risco de adquirir a infecção.

Para conferir o artigo na íntegra, acesse

Outro estudo: zika e chikungunya no Brasil

Um outro artigo publicado no final de 2023 mostrou que os casos de chikungunya e zika apresentam tendência de queda no Brasil como um todo, mas a situação continua preocupante nas regiões de maior risco de infecção por esses dois vírus: Nordeste, Centro-Oeste e litoral de São Paulo e Rio de Janeiro. Nesses locais, ambas as doenças seguem com número de casos em alta.

O trabalho foi publicado na revista Scientific Reports por pesquisadores da FSP e do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE), que analisaram os padrões espaço-temporais de ocorrência e coocorrência das duas arboviroses em todos os municípios nacionais, bem como os fatores ambientais e socioeconômicos associados a elas.

No Brasil, as áreas de maior risco de infecção se localizaram inicialmente na região Nordeste. Entre 2018 e 2021, data inicial do estudo atual, o foco se deslocou para o Centro-Oeste e para os litorais de São Paulo e do Rio de Janeiro, antes de recrudescer novamente no Nordeste, de 2019 a 2021.

“Identificar essas áreas de alto risco – que são influenciadas pela alteração do ambiente causada por fatores como urbanização, desflorestação e alterações climáticas – é importante tanto para controlar os vetores quanto para direcionar corretamente as medidas de saúde pública, especialmente em um momento em que a Opas/OMS e o Ministério da Saúde (MS) vêm alertando sobre um aumento no número de casos de chikungunya e zika acima dos relatados nos últimos anos”, afirmou à Agência Fapesp Raquel Gardini Sanches Palasio, pesquisadora do Laboratório de Análise Espacial em Saúde (Laes) do Departamento de Epidemiologia da FSP e primeira autora do estudo.

“Chikungunya e zika demonstraram respectivamente tendências decrescentes de 13% e 40% no Brasil como um todo entre 2018 e 2021; entretanto, 85% e 57% dos aglomerados [áreas de maior concentração] encontrados mostraram uma tendência crescente, com provável crescimento anual entre 0,85% e 96,56% para chikungunya e entre 2,77% e 53,03% para zika.”

“Observamos ainda que, desde 2015, as duas arboviroses ocorreram com maior frequência no verão e no outono no Brasil. No entanto, a chikungunya está associada a baixos níveis de precipitação, ambientes mais urbanizados e locais com maior desigualdade social. E zika a alto volume de chuvas e áreas com baixa cobertura de rede de esgoto.”

De acordo com a pesquisadora, ambas as doenças são mais frequentes ainda em locais com menores taxas de vegetação nas áreas urbanas e, aparentemente, o fator socioeconômico é mais evidente para chikungunya do que para zika.

O artigo Zika, chikungunya and co-occurrence in Brazil: space-time clusters and associated environmental–socioeconomic factors pode ser lido em: www.nature.com/articles/s41598-023-42930-4.

*Da Assessoria de Comunicação da FSP, com informações de Julia Moióli, da Agência Fapesp