Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

A Era do Hidrogênio

Publicado em 04 abril 2005

Há 131 anos, Júlio Verne previa, no romance 'A Ilha Misteriosa', que o hidrogênio se transformaria "em uma fonte inesgotável de luz e calor".
Famoso pela notável capacidade de antecipar o futuro, Verne, que completou no mês passado 100 anos da sua morte, acertou mais uma vez.
Ele só não previu que viveríamos em um mundo envolto em chumbo, enxofre, etano, etileno, propano, butano, acetileno ou pentano, entre outros, que infestam a atmosfera de todas as médias e grandes cidades - herança dos combustíveis fósseis (gasolina e diesel, principalmente).
No lugar desse poderoso coquetel de males à saúde, o hidrogênio gera apenas um leve 'zuuummmmbido', característico dos motores com essa tecnologia. Pelo escapamento, só vapor d'água.
Graças a essas características, países como Estados Unidos, Japão e a União Européia investem hoje mais de R$ 5 bilhões nessa tecnologia, que terá como prioridade a utilização de hidrogênio no transporte urbano coletivo e de carga. E o Brasil?
Tomemos como exemplo o que diz Harry Bradbury, diretor-executivo da Intelligent Energy, uma empresa britânica que acaba de lançar uma motocicleta movida a hidrogênio.
"A célula de energia a hidrogênio que equipa a nova moto, tem o tamanho de uma maleta 007, e poderia ser usada como uma fonte de energia móvel, servindo para acionar diferentes objetos".

Brasil
Segundo ele, a possibilidade de produzir essa energia a partir de várias fontes - inclusive vegetais, como a cana-de-açúcar - pode beneficiar comunidades remotas ou países em desenvolvimento, onde grandes redes de energia elétrica são muito dispendiosas. E é aí que entra o Brasil.
Dono da maior área de cana plantada no mundo, o País começa a desenvolver uma nova tecnologia, capaz de obter o hidrogênio diretamente das usinas de açúcar e álcool. O invento já está sendo testado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
"Ao queimarem o bagaço proveniente da produção de álcool, o vapor gerado nesse processo, ao reagir com o etanol, causa uma reação que vai gerar hidrogênio", explicou José Luiz Silveira, coordenador do projeto, à 'Agência Fapesp'.
O fato do hidrogênio se transformar em eletricidade quando ocorre a reação com o oxigênio dentro das células a combustível aumenta a importância dessas pesquisas.
"Em um futuro próximo, teremos carros elétricos movidos a células a combustível. E esta tecnologia vai precisar do hidrogênio, via usinas de açúcar e álcool", ressaltou o professor da Faculdade de Engenharia (FE) da Unesp, em Guaratinguetá.