Notícia

Gazeta Mercantil

A Embrapa brilha no exterior

Publicado em 17 julho 2003

Por Gisele Teixeira de Brasília
O intercâmbio deve ser feito como negócio e sem paternalismos, dentro das relações bilaterais", afirmou o pesquisador Jaime Triana, da Corporación Colombiana de Investigaciones Agrícolas (Corpoica), em recente visita à Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP). Caju - Com a África, a situação é um pouco diferente. "Os países precisam não só de tecnologia de produto, mas também de processos e gestão", informa Barbosa. A cooperação entre a Embrapa e os países africanos, em especial os cinco de língua oficial portuguesa (Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe), já acontece há vários anos, mas tende a se intensificar ainda mais. Um dos parceiros importantes neste trabalho é a Japan lnternational Cooperation Agency (JICA), que patrocina diversos treinamentos destas comunidades no Brasil e a ida de pesquisadores brasileiros à África para a prestação de assistência técnica. Guiné-Bissau é um bom exemplo dessas parcerias e vai tirar proveito da tradição brasileira no cultivo do caju. Em maio deste ano, dois pesquisadores da Embrapa estiveram naquele país fazendo um diagnóstico da cajucultura. A partir desses dados foi estabelecido um cronograma de ação de quatro anos, que inclui intercâmbio de técnicos e material genético público entre os países, capacitação nas áreas de manejo, irrigação, controle fitossanitário e pós-colheita, e a instalação de minifábricas de processamento. Para se ter uma idéia do que isso pode significar, em Guiné Bissau o caju ocupa 80% da população de 1,2 milhão de habitantes, segundo a Embrapa. Plantio direto - Os países que, aparentemente, estão à frente do Brasil em pesquisas agropecuária também querem fechar parcerias com a Embrapa. É o caso da Holanda, que busca mais tecnologia na área de plantio direto, técnica pouco difundida na Europa. No último dia 7 de julho, o chefe do Departamento de Qualidade do Solo da Universidade de Wageningen, Lijbert Brussard, esteva na Embrapa Soja, em Londrina, definindo as principais linhas de um projeto cooperativo entre os dois países. "Sabemos que o Paraná é modelo em plantio direto, sistema onde não há revolvimento do solo e que, por isso, preserva sua biologia, garantindo produtividade", explicou Brussard. A Suíça também está de olho no Brasil e vai bancar a instalação de um centro tecnológico em Campina Grande (PB), sendo que as cadeias do algodão colorido e gergelim serão as primeiras a serem beneficiadas. O perito suíço Beat Grüninger esteve na Paraíba em março deste ano. Na ocasião, Grüninger explicou que a Suíça tem um mercado grande e crescente para produtos naturais, especialmente os oriundos da pequena e micro-empresa. "O centro vai atuar como certificador de uma espécie de 'selo social' para os produtos concebidos dentro do conceito de 'tecnologia limpa', assessorando as empresas em processos como embalagem e transporte", disse Grüninger. Para a Paraíba o intercâmbio é muito bom. Ligado à diretoria de cooperação internacional da Secretaria Econômica do governo suíço, o centro tecnológico poderá significar um passaporte de respaldo na relação comercial entre o estado e os mercados consumidores de produtos finais na Europa. Sebastião Barbosa ressalta que, tradicionalmente, a empresa sempre recebeu investimentos externos para suas pesquisas. "E vamos continuar recebendo. A diferença é que agora passamos para uma fase também de investidores em alguns países, relação que é muito gratificante", conclui. A Embrapa atua por intermédio de 37 centros de pesquisa, três de serviços e 15 unidades centrais. Possui hoje 8.530 empregados, dos quais 2.045 são pesquisadores, 47% com mestrado e 49% com doutorado, operando um orçamento da ordem de R$ 650 milhões anuais. LABEX NA FRANÇA E NOS EUA A julgar pelos resultados dos dois primeiros Labex instalados pela Embrapa, a unidade da América do Sul tem tudo para gerar bons frutos. O Labex americano foi criado em 1998, em cooperação com o Serviço de Pesquisa Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA/ARS), e tem sede física em Washington. As pesquisas prioritárias estão nas áreas de agricultura de precisão, manejo integrado de enfermidades animais, manejo integrado de pragas e doenças de plantas, manejo de recursos hídricos do solo e da água, biotecnologia e propriedade intelectual, novos usos de produtos agrícolas e mudança global do clima. Foi o Labex americano que viabilizou, por exemplo, o acordo entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a USDA/ARS para o sequenciamento da bactéria Xylella fastidiosa, que ataca os laranjais paulistas e as videiras do estado da Califórnia. Outra vitória importante foi a obtenção da transferência, para o Brasil, do banco de dados conhecido como Soybean Insect Research and Information Center (Siric), o que transformou a Embrapa na maior fonte internacional de informações pragas da soja. Já na França o laboratório é mais recente. Criado em 2002, tem sua plataforma junto à Agropolis Internacional de Montpellier. Esta organização congrega as instituições de pesquisa e de ensino superior de Montpellier e da região de Languedoc-Roussillon, em parceria com instituições e companhias locais e regionais. As linhas de pesquisa são direcionadas para economia agrícola, biologia avançada, tecnologias agroalimentares e agroindustriais e ainda gestão de recursos naturais. Em menos de um ano a parceria permitiu, entre outras conquistas, a negociação e o reconhecimento da propriedade intelectual do Banco Ativo de Germoplasma (BAC Banana), desenvolvido pelo pesquisador brasileiro Alberto Vilarinhos. (G.T.)