Notícia

Comércio da Franca

A economia paulista

Publicado em 02 novembro 2011

Por Por Wilson Marini

O saldo da balança comercial do Estado de São Paulo foi negativo em US$ 13,9 bilhões no acumulado dos primeiros nove meses de 2011 (janeiro a setembro). Enquanto as exportações paulistas somaram US$ 48,1 bilhões, as importações foram de US$ 61,9 bilhões. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e foram interpretados regionalmente pelas áreas técnicas da Fiesp em cada uma das 39 diretorias do Ciesp. Os dados regionais serão divulgados nesta quinta-feira.

Ao mesmo tempo, o saldo da balança comercial do Brasil no mesmo período foi positivo de US$ 23 bilhões. As exportações brasileiras atingiram, no acumulado de 2011 até setembro, US$ 190 bilhões e as importações somaram US$ 167 bilhões. No mesmo período de 2010, o saldo foi também positivo, da ordem de US$ 12,7 bilhões.

Crise global

Em São Paulo, o saldo deficitário não é novidade. Já era registrado no ano passado. Nos primeiros nove meses de 2010, quando não se sentia ainda os efeitos da atual crise global, a balança comercial paulista registrou US$ 40,9 bilhões de exportação, contra US$ 49,6 de importação. Uma diferença relativamente menor em relação à apresentada em 2011. E esta é a novidade do levantamento.

Os números apontam uma tendência de aumento das importações em relação às exportações. Numa economia saudável, os montantes deveriam estar mais equilibrados. O segmento industrial paulista ligado à indústria de ponta, como máquinas e equipamentos, enfrenta dificuldades para colocar seus produtos na Europa e EUA, enquanto a realidade brasileira como um todo é diferente. A balança nacional positiva se deve às commodities -- grãos, açúcar e carnes.

Ranking

Das 39 diretorias regionais analisadas, a de São Paulo (capital) obteve a 1ª colocação do Estado no valor de importações e exportações. As vendas ao exterior atingiram US$ 6,5 bilhões no acumulado de 2011 até setembro. Este valor representou um acréscimo de 34,5% em relação aos US$ 4,8 bilhões exportados no mesmo período de 2010. O peso principal (35% da pauta) ficou por conta das exportações do setor de usinas de açúcar. Já as importações da DR de São Paulo totalizaram US$ 11,8 bilhões, 13,4% superior ao acumulado de janeiro a setembro de 2010. O setor de produtos farmacêuticos aparece como destaque, respondendo por 4,1% da pauta importada.

O segundo lugar do ranking das importações e exportações ficou por conta da DR de São José dos Campos. As exportações totalizaram US$ 4,1 bilhões, 7,5% superior às exportações no acumulado de janeiro a setembro de 2010 (US$ 3,8 bilhões). O destaque da pauta exportadora da DR foi a fabricação de aeronaves (65,9% da pauta). As importações, por sua vez, ampliaram em 55,6% entre os acumulados de janeiro a setembro de 2010 e 2011, indo de US$ 5,9 bilhões para US$ 9,3 bilhões. Novamente o setor de fabricação de aeronaves foi o destaque da pauta importadora (26,1% da pauta).

Seguem-se, no ranking das 10 maiores, pela ordem de importância no total de exportações e exportações, as regiões de Santos, São Bernardo do Campo, Campinas, Guarulhos, Piracicaba, Sorocaba, Ribeirão Preto e Araraquara.

Tecnologia

Focados na ampliação da competitividade brasileira, a Fiesp e o Ciesp querem encurtar a distância entre a indústria e os centros de desenvolvimento tecnológicos. Para isso, promoverão um evento que vai reunir setores empresariais e acadêmicos em um encontro de três dias na capital paulista. Ao lado do governo do Estado de São Paulo, as entidades industriais vão realizar, entre 7 e 9 de novembro, a 3ª Inovatec - Feira de Negócios em Inovação. O objetivo é gerar oportunidades e estimular parcerias entre setor produtivo e os centros de pesquisa e desenvolvimento. Foram convidadas instituições como USP, Unicamp, Unesp, IPT, ITAL, Paula Souza, UFSCAR, BNDES, FINEP, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ipen, Embrapa, Apta, Sebrae, Fapesp, ABDI e INPI.

Apesar de São Paulo apresentar números significativamente maiores, o investimento total em Pesquisa e Desenvolvimento no país não passa de 1,1% do PIB, valor equivalente à metade da observada nos países da OCDE.

Para Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, transformar conhecimento em inovação é uma necessidade para a construção de uma sociedade mais próspera e um fator fundamental à geração de valor nas empresas. "É preciso inovar sempre e as instituições de ensino e pesquisa têm plenas condições de apoiar a indústria nesse sentido", afirma.

Saneamento

O Atlas de Saneamento 2011, da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), lançado em 19 de outubro, revela que o saneamento básico ainda é um enorme desafio no País. Segundo o estudo, de 2000 a 2008, a rede de esgoto no Brasil avançou menos de 3% em relação ao índice de municípios contemplados com a coleta -- de 52,2% para 55,1%. O levantamento aponta ainda que, com exceção da Região Sudeste, na qual 95% das cidades possuem o sistema, menos da metade dos municípios de outras localidades do Brasil conta com o serviço. A oferta de coleta seletiva cresceu 9% no País. São dados que precisam ser digeridos localmente.

O Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (Cepam) promoverá dia 8 de novembro o encontro "Os Planos Municipais de Saneamento e de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos" com o objetivo de discutir os desafios das políticas públicas relacionadas ao meio ambiente. "Ao falarmos em saneamento básico, estamos nos referindo também à saúde e ao meio ambiente. Oferecer à população serviços de abastecimento de água potável e limpeza urbana é fundamental para a melhoria da qualidade de vida", afirma Lobbe Neto, presidente da entidade.

Prevenção no trânsito

Portaria do Ministério da Saúde estabelece critérios para repasse de verba a municípios com mais de 50 mil habitantes que desejem apresentar ações de vigilância e prevenção de lesões e mortes e promoção da paz no trânsito. Algumas das diretrizes a serem seguidas nos projetos: implantação de Observatórios de Trânsito; programas de capacitação de gestores e profissionais de saúde, educação e trânsito, e de representantes de movimentos e conselhos sociais; segurança para pedestres, ciclistas, motociclistas e população; educação e promoção que incentivem o uso de equipamentos de segurança e de respeito às normas de circulação no trânsito; fiscalização e policiamento; e fomento às campanhas de educação e marketing social.

Oportuníssima essa articulação, em função da importância do trânsito em nossas cidades. Aumento da frota é fator complicador de um problema mais complexo, associados à educação dos motoristas e pedestres, estrutura das vias e, nos últimos anos, o advento em massa das motocicletas.