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Jornal da Manhã (Marília, SP) online

A desconfiança nas instituições

Publicado em 03 julho 2007

Não é por acaso que o brasileiro está cada vez mais desconfiado e desanimado em relação às instituições. A corrupção toma conta do País e os exemplos que vêm lá de cima não são nada animadores, principalmente depois das muitas operações realizadas pela Polícia Federal, atingindo as polícias, justiça e políticos. O Congresso Nacional está podre e chega a colocar em risco a democracia.

Pelo menos isso é o que indica pesquisa inédita patrocinada pela Fapesp e coordenada pelo cientista político José Álvaro Moisés, da Universidade de São Paulo. Em junho de 2006, foram feitas 2.004 entrevistas em todo o país. O número de pessoas que dizem preferir a democracia a qualquer outro sistema ficou em 68,1%. Em 1989, eram 51%.

Apesar dessa preferência, 81% das pessoas desconfiam dos partidos, e 76%, do Congresso. "A desconfiança decorre da experiência e da avaliação prática que as pessoas fazem das instituições, diz Moisés.

"É como se os brasileiros dissessem que amam a democracia como um ideal, mas odeiam as instituições porque desconfiam do seu funcionamento prático." Segundo o professor, de imediato, isso não representa um perigo. Mas, no longo prazo podem surgir problemas.

Se a pesquisa fosse feita agora, certamente o índice de descontentamento seria ainda maior, com tantos escândalos atingindo o Senado e magistrados. Os casos Renan Calheiros e Joaquim Roriz são demonstrações inequívocas da violenta corrupção que impera na política nacional.

Ontem foi comemorado o Dia do Bombeiro. E não por acaso, essa instituição é a de maior credibilidade no País, chegando a (86,1%), ficando a Igreja em segundo lugar (75,3%) e Exército em terceiro (61,4%).

A situação é tão complicada e caótica que o estudo mostra que 31,5% dos entrevistados acreditam que a democracia pode funcionar sem partidos e 28,7% acham que pode funcionar sem o Congresso. Além disso, 51,8% concordam em algum grau com a idéia de que, "quando há uma situação difícil no Brasil, não importa que o governo passe por cima das leis, do Congresso, das instituições para resolver os problemas do país".

O pior de tudo é saber que, mesmo com tanta lama, vergonha e desmoralização das instituições, pouco ou nada vai mudar no Brasil, que continua sendo "o país do jeitinho". Tudo se dá jeito, para tudo há uma saída, sempre com a corrupção imperando em todos os setores da sociedade. Uma matéria do Jornal da Nacional na semana passada mostrou o abuso de estabelecimentos comerciais e dos chamados "flanelinhas" (agem ilegalmente nas ruas) que fazem reservas de vagas de estacionamento em frente de bares, pubs, restaurantes e outras casas, obstruindo as vagas com cones. Para estacionar só pagando! Um entrevistado que utiliza desta prática concordou que é ilegal, mas acrescentou: "isso aqui é Brasil!" Isso é fruto dos maus exemplos que vêm das instituições, principalmente dos políticos como Renan Calheiros e Joaquim Roriz.