Considerada uma vitória da ciência , a vacina contra a dengue pode mudar o futuro da saúde brasileira. O imunizante Butantan-DV desenvolvido pelo Instituto Butantan, protege contra os quatro sorotipos da dengue em apenas uma aplicação e, no Brasil, será disponibilizado apenas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
— Eu não acredito em erradicar, mas eu acredito que a dengue vai deixar de ser um grande problema de saúde pública a médio prazo — projeta o virologista Maurício Nogueira, um dos coordenadores da pesquisa que resultou na vacina, em entrevista à Rádio Gaúcha.
Conforme a fase final do estudo, que iniciou em 2016, o imunizante tem eficácia de 100% contra quadros de saúde que precisam de internação e 85% contra casos graves da doença.
O pesquisador lembra que, com a inclusão da vacina no SUS nos próximos anos, situações como a vivida em 2024 no Rio Grande do Sul, que decretou emergência por causa da dengue devem ficar mais raras ou, até mesmo, deixem de existir.
A aprovação feita pela Anvisa nesta quarta-feira (26) libera a aplicação da vacina na população de 12 a 59 anos, mas já são previstos novos estudos para ampliar a faixa etária. De acordo com o virologista, estes devem ser mais rápidos e demorar menos do que os nove anos que foram necessários para a fase final da pesquisa.
Dose única
O grande diferencial da vacina desenvolvida pelo instituto é que ela protege o indivíduo com apenas uma dose. O outro imunizante contra a doença disponível no SUS, o Qdenga, precisava de duas aplicações, com intervalo de 90 dias entre cada uma.
— Se vai proteger para a vida toda nós não sabemos ainda, mas pelo menos nos cinco anos que foram acompanhados, a vacina se mostrou bastante eficiente sendo uma única dose. Pode ser que doses de reforço sejam necessárias no futuro, mas não é daquelas vacinas que você toma uma dose agora e um reforço daqui a 30 dias — relata Nogueira.
Além de diminuir o número de aplicações, a Butantan-DV também amplia a parcela da população que será beneficiada, já que a Qdenga tem uso restrito a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Nos próximos anos
Até o momento, a informação que se tem é que o instituto já possui 1 milhão de doses prontas para aplicação e que outras 30 milhões devem ser entregues no segundo semestre de 2026. Essa entrega só será possível através de uma parceria firmada com o laboratório chinês Wu Xi que aumenta a capacidade de produção do Butantan.
Além da projeção feita para o próximo ano, Nogueira revelou que a expectativa é de atingir a marca de 65 milhões de doses em dois anos. Esse número representa 30,5% da população brasileira. A perspectiva é que até 2027 um terço dos brasileiros estarão protegidos contra o agravamento da dengue
Beatriz Coan