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Diarioweb (São José do Rio Preto)

A criação de galinha caipira é uma boa opção

Publicado em 19 maio 2011

Por Carlos Eduardo de Souza

Boa de panela, a galinha caipira é também uma boa alternativa para pequenas propriedades rurais da região agregar valor à produção. Criadas em regime semi-intensivo, aves de linhagens de maior capacidade de conversão alimentar são vendidas na faixa de R$ 15 a unidade para consumidores interessados no sabor da galinha caipira, segundo o professor da Unesp de Araçatuba, Manoel Garcia Neto. O valor é superior ao obtido atualmente pelo frango de granja.

E é sobre "Avicultura semi-intensiva: opção para a pequena propriedade" que os professores da Unesp Manoel Garcia Neto, Marcelo Meireles e a pesquisadora Giane Serfim, da Agência Paulista de Técnologia do Agronegócio (Apta), vão tratar em três palestras no Polo Noreste, em Votuporanga. O evento acontece amanhã a partir das 7h30. A pesquisadora Giane Serafim vai falar sobre "Principais parasitos em avicultura: resultados de pesquisas na região".

Ela afirmou que esta pesquisa integra trabalho que desenvolve com recursos da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) nas áreas de ovinocultura, avicultura e pecuária (bovinocultura) na região de Votuporanga. Marcelo Meireles abordará as "Principais doenças em avicultura e prevenção". Giane explicou que a avicultura semi-intensiva é utilizada na produção de carne e de ovos com a seleção de linhagens de aves específicas como a "label rouge" e a "Embrapa 51", que podem atingir ponto de abate no sistema semi-intensivo por volta de 85 a 90 dias de vida contra de 42 a 45 dias no sistema intensivo ou de granja.

No sistema extensivo com as aves soltas na propriedade que resultam nas famosas galinhas caipiras são necessários 180 dias para o ponto de abate. Garcia explicou que as galinhas ou frangos caipiras, além de demorarem um período longo para atingir o ponto de abate, apresentam menor volume de carne, o que torna a atividade pouco viável economicamente.

Como funciona

Segundo explicou, o sistema semi-intensivo mantém os pintinhos em instalações fechadas nos primeiros 25 dias com fornecimento de ração e água. "Durante o curso, eu vou ensinar a formulação da ração que usa a maior parte dos nutrientes que o produtor rural já tem na propriedade." Após 25 dias, as aves são soltas durante o período do dia e presas à noite para impedir a ação dos predadores. "O produtor tem um monte de sócios que não conhece como, por exemplo, o teiú, aquele lagarto que adora chupar o ovo e comer pintinho."

Para evitar a ação predatória, Manoel sugere que o "galpão", onde os frangos ou as galinhas são alojadas, seja cercado por tela com 1,5 metro de altura sobre uma estrutura de cimento para evitar que os predadores cavem túneis. Segundo o professor da Unesp Araçatuba, a proposta é aproveitar instalações da propriedade rural que não estejam sendo utilizadas e adequá-las à avicultura.

Ele sugere que o produtor se dedique a uma única atividade. "Corte ou postura. O produtor deve ser o mais "especializado" possível". O professor sugere que o produtor rural, ao ingressar na atividade, comece com poucas aves. Sugere lotes de 50 ou 100 pintinhos. "A cada nove pintinhos é necessária uma área de um metro quadrado. Depois, na medida em que ficam maiores, é necessário um metro quadrado para cada três aves".

O campo onde os frangos serão criados deve ficar, estrategicamente, próximo ao galpão, o que não impede que as aves alimentem-se em pomares, bosques ou dividam espaço com outra atividade como ovinocultura. "Tem a vantagem deles se alimentarem dos parasitos das ovelhas que estão no pasto. É proteína." Segundo Garcia, é a alimentação a campo que garante o tom mais escuro à carne e aos ovos caipiras, além do sabor, diferencial que permite uma melhor remuneração.

Preços por quilo

Na faixa de 85 a 90 dias, o frango criado no pasto atinge entre 2 e 2,5 quilos. O produtor recebe cerca de R$ 7 por quilo ou seja, cerca de R$ 15 por ave, contra R$ 1,60 do quilo vivo do frango de granja. A procura por frango ou galinha caipira, criados soltos na propriedade, permite aos produtores cobrarem entre R$ 20 e R$ 25 por ave, mas o período de preparação para abate é de 180 dias. Garcia explicou também que as aves criadas em sistema semi-intensivo das linhagens selecionadas costumam apresentar maior resistência a doenças por serem mais rústicas. Informações sobre as palestras podem ser obtidas pelo telefone 17 3422-2423.