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FAPESP Na Mídia

"A CIÊNCIA PRECISA DE IMAGINAÇÃO"

Publicado em 01 dezembro 1998

A união entre a linguagem criativa das histórias em quadrinhos e a Divulgação Científica pode tornar-se um instrumento importante de popularização da Ciência. A familiaridade do público com a comunicação visual cria condições para uma compreensão mais imediata de temas complexos relacionados à Ciência & Tecnologia. No entanto, apesar de ser um campo fértil para o desenvolvimento de pesquisas, o mercado ainda é reduzido. Quando a Nasa estava desenvolvendo seus primeiros foguetes, na década de 60, era preciso justificar junto à opinião pública o dinheiro gasto nos projetos. Explicar, naquela época, o que significa construir uma espécie de avião que vai cruzar o espaço sideral, chegar à lua ou a outros planetas não era nada fácil. Nessa empreitada, a agência espacial americana encontrou um recurso eficiente para tornar mais claro os avanços da Ciência & Tecnologia: o uso das histórias em quadrinhos do personagem Flash Gordon. "Ilustrações e histórias em quadrinhos podem agilizar as discussões sobre Ciência", afirma Newton Foot, quadrinhista profissional há dez anos. Foot desenvolveu uma série de gibis que acompanham um livro didático de matemática, onde busca trazer para o cotidiano das crianças temas difíceis de serem explicados, como inflação, consórcio, poupança e prestação. "Assuntos mais complexos podem ser melhor compreendidos, e de forma mais imediata, se utilizarmos o desenho. A Ciência precisa de imaginação", brinca Newton. A televisão, o computador, o cinema, entre outros fatores, estimulam uma cultura que privilegia as imagens. Divulgar ciência para um público não especializado por meio de quadrinhos e ilustrações pode tornar-se um instrumento eficaz de comunicação. "Todos têm contato, desde sempre, com os apelos da imagem, como é o caso dos quadrinhos", comenta Cláudio Attílio de Oliveira, autor da ilustração de capa do Notícias Fapesp nº 36. "A familiaridade com a comunicação visual proporciona um feedback muito mais rápido." O tema Ciência & Tecnologia, no entanto, requer certos cuidados. Na maioria das publicações as charges têm caráter cotidiano, o que facilita o entendimento da mensagem. Em divulgação científica é diferente: a temática é mais complexa e necessita de um maior aprofundamento por parte do autor da ilustração. "O desenhista deve estar mais atento devido ao grande número de informações que é preciso transmitir", lembra Newton Foot. Outro cuidado a ser tomado, além da preocupação com a densidade de conteúdo, é o risco de deslocar o significado da informação, resultando em interpretações ambíguas. "Não dá para brincar muito", afirma Attílio, referindo-se ao teor humorístico de seus trabalhos. "Você não pode dar margem a leituras erradas do assunto. A abordagem tem que ser bastante específica". Atualmente, o desenhista está trabalhando numa série sobre o corpo humano para a revista Galileu, em que expõe, de forma bem-humorada, cuidados e curiosidades sobre nosso organismo. O mercado para esse tipo de trabalho, no entanto, é quase inexistente. Há apenas um número limitado de publicações onde é possível pesquisar e fazer experiências sobre uma união constante entre histórias em quadrinhos e Ciência. "Qualquer tema árido pode ser bem tratado por meio de imagens", reitera Attílio. "É um instrumento importante para popularizar um assunto nobre como a Ciência."