Notícia

Jornal da Tarde

A ciência brasileira avança

Publicado em 08 janeiro 2001

Três grandes feitos e uma excelente notícia t para o setor de pesquisa científica e tecnológica no Brasil foram anunciados na semana pasmada pelo governador Mário Covas, com base em trabalhos que estão sendo desenvolvidos sob a orientação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), numa demonstração de que o Brasil, apesar de suas limitações financeiras, avança numa das áreas mais sensíveis da ciência hoje: o seqüenciamento genético de organismos e plantas. É o Brasil se sobressaindo nas pesquisas de última geração. Os feitos: os pesquisadores brasileiros concluíram novas etapas do Projeto Genoma, um ambicioso programa, desenvolvido em todo o mundo, com o objetivo de traçar o mapa genético de animais e vegetais: o seqüenciamento genético da bactéria Xanthomonas citri - responsável pelo cancro cítrico, praga que atinge os laranjais; o genoma da cana-de-açúcar, que identificou 300 mil genes; e a primeira fase do projeto Genoma do Câncer Humano. Além do feito científico em si, as duas primeiras pesquisas têm enorme importância econômica para o Brasil. O cancro cítrico é responsável por prejuízos anuais de R$ 110 milhões em São Paulo; só entre 98 e 99 ele reduziu a produção de laranjas no Estado em 25 %. E, a partir do genoma da cana, será possível melhorar geneticamente a cana no País, aumentando sua resistência às pragas e a adaptabilidade a diferentes solos. Para se ter uma idéia desses feitos basta lembrar três detalhes: no caso da laranja, o Brasil está sozinho nos trabalhos sobre cancro cítrico; no da cana, os EUA lançaram, na mesma época em que o Brasil começou a estudar esta planta, diferentes projetos para estudar diversos vegetais e nenhum produziu, até agora, a quantidade de informações do genoma brasileiro; e o Brasil já é o segundo país, atrás apenas dos EUA, na lista dos países que trabalham na identificação dós genes humanos. A boa notícia, a partir do que foi identificado geneticamente sobre a cana-de-açúcar, é a disposição dos empresários do setor no Brasil de bancarem 50% das pesquisas que serão desenvolvidas para formar uma espécie mais resistente, orçadas inicialmente em US$ 4 milhões nos próximos quatro anos. Finalmente, a iniciativa privada brasileira começa aperceber a importância para o País e para os próprios negócios dos investimentos em ciência e tecnologia e passa a partilhar seus riscos com o governo. É um passo que, se imitado em grande escala, pode fazer o setor de pesquisas e desenvolvimento no Brasil dar um salto de qualidade em pouco tempo.