Notícia

A Cidade (Ribeirão Preto)

A China que estou vendo: a chegada

Publicado em 17 fevereiro 2008

Em três artigos tentarei mostrar ao leitor de "A Cidade", as impressões que estou tendo da China, nesta viagem de estudos, feita com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da FFCLRP da USP. Apreciarei e muito que os leitores me mandassem e-mails comentando estes artigos ou formulando questões sobre a China que vive uma situação "sui generis" pois continua comunista na organização social e altamente capitalista na sua economia.

Beijing capital da China tem uma história de 3.000 anos e congrega monumentos históricos famosos, bastante visitados, lado a lado, com gigantescos arranha-céus, modernos shopping-centers, imensos condomínios residenciais, centenas de fábricas e uma vasta periferia, onde se vê muita sujeira, cachorros abandonados, mas não se vê indigentes, alcoólatras ou crianças famintas e pedintes.

Minha experiência na China foi surpreendente desde o início; desembarcando no aeroporto de Beijing, ao trocar dólares por yuans, na proporção de um para sete, percebi que a valorização da moeda americana em relação à local, tornava tudo bem barato, para o nosso poder aquisitivo. Para se ter uma idéia, convertendo para o real, a passagem de ônibus custa R4 0,30%; metrô: R$ 0,60; táxi em trajeto longo: R$ 10,00; uma refeição num restaurante bom: R$ 10,00; uma calça jeans: R$ 20,00; um blusão de nylon acolchoado R$ 25,00; um blusão de couro de grife: R$ 150,00; apartamento individual num hotel bom: R$ 60,00. Se na Europa 200 euros são gastos em 2 a 3 dias, aqui na China eles se transformam em 2000 yuans, que cobrem tranqüilamente gastos de duas semanas. Além disso, o pessoal do hotel em que havia feito a reserva, foi me buscar no aeroporto, evitando transtornos de demorar a achar o local, ainda mais num local estranho, em que não lia e nem falava o idioma local; correndo o risco de ficar rodando de táxi pela cidade. A receptividade do pessoal do hotel era uma pequena amostra da amabilidade do povo chinês; nunca vi tanta gente de boa índole, educada, bem-humorada em toda a minha vida.

Pelo menos aqui em Pequim, não há roubos ou violência nas ruas; ninguém bate a carteira de ninguém; ninguém fica mexendo com as mulheres gratuitamente, não há alcoólatras ou crianças pedintes, não há discriminação de espécie alguma; muito pelo contrário o que vigora aqui é a cordialidade e solidariedade nas relações sociais. No metrô se vaga um lugar para sentar, as pessoas te avisam, se esquece alguma coisa em um estabelecimento, eles vêm correndo atrás te chamar; se você se confunde com as notas e dá menos dinheiro para pagar uma conta, te corrigem e dão risada. São muito espontâneos e sorridentes; demorei uns quinze dias para me curar da paranóia que corre solta no Brasil: ficava fantasiando que o pessoal do hotel poderia roubar meu computador; que poderiam roubar meu cartão de crédito; que o chá que oferecem nas lojas e shoppings poderia conter algum sonífero ou droga, mas relaxando foi possível usufruir e me divertir nessa bela cultura milenar. A malandragem aqui não corre solta como no nosso país.