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Valdir Rios

A brasileira que pode ajudar a Nasa a descobrir a origem da Terra

Publicado em 13 março 2017

Por Marina Demartini

São Paulo – Mello tinha 16 anos quando colocou os pés pela primeira vez no Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A ideia era responder a uma pergunta que rondava a cabeça de sua mãe: o que é astronomia? Quase 40 anos depois e um pós-doutorado no Chile, a carioca sabe dizer como ninguém o que é ser astrônoma.

Duilia de Mello é pesquisadora associada do Centro de Voo Espacial Goddard da Nasa e vice-reitora da Universidade Católica de Washington D.C., nos EUA. Ela é conhecida no meio científico por ter descoberto a supernova SN1997D e as bolhas azuis, estrelas que vivem fora das galáxias.

A primeira conquista de Mello, no entanto, não foi o reconhecimento de seus pares, mas de seus pais. “Foi muito complicado quando escolhi ser astrônoma”, conta a cientista em entrevista a EXAME.com. “Minha mãe não sabia o que era astronomia e me perguntava como eu ia arrumar emprego nessa profissão.”

A resposta para esse questionamento veio da própria mãe de Mello. Ela decidiu levar a filha até o departamento de astronomia da UFRJ, localizado no centro da capital fluminense, para tentar entender a profissão. “Até hoje não sei como ela conseguiu encontrar o curso. Nós morávamos no subúrbio e não existia Google naquela época”, brinca a astrônoma.

Mello conta que foi devido à longa jornada ao campus que sua mãe e ela tiveram a primeira conquista de suas vidas. “Quando chegamos lá (na UFRJ), eu consegui convencê-la de que se os professores tinham um emprego, por que eu também não poderia ter um?”

Desde então, Mello não parou. Logo após se formar em astronomia pela UFRJ, ela fez mestrado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Seu doutorado foi feito parte no Brasil, na Universidade de São Paulo (USP), e parte nos EUA, na Universidade do Alabama.

“Eu defendi a minha tese no dia 10 de fevereiro de 1995 e no dia 12 de fevereiro eu embarquei para o Chile com um bolsa da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para fazer pós-doutorado”, conta Mello.

Era para a astrônoma ficar três anos no Observatório Interamericano de Cerro Tololo, no Chile. Contudo, dois anos depois, ela estava de volta ao Brasil. O motivo era a conquista de uma bolsa de recém-doutor no Observatório Nacional.