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Aerobusiness

A Boeing acredita no Brasil

Publicado em 25 junho 2013

Por Roberto Pereira

Durante muitos anos inegável líder na preferência das empresas aéreas brasileiras, a norte-americana Boeing continua ainda forte no mercado nacional, porém agora precisa disputar encomendas - governamentais e privadas - com outros fabricantes rivais. Mas parece disposta a reconquistar bons negócios no mercado verde e amarelo.

Um bom exemplo é o Donna Hrinak, Presidente da Boeing no Brasil. Em declaração recente para uma revista européia ela desabafou: "Quando assumi o cargo 15 meses atrás perguntaram a mesma coisa - se minha vinda estava ligada à venda dos novos caças pela concorrência F-X. Mas procuramos deixar claro que tínhamos chegado para ficar por longo tempo". A mensagem é direta: seja qual for o novo caça escolhido para a FAB, sua empresa deseja mesmo ampliar os negócios no país!

Sua escolha foi cuidadosa. Experiente conhecedora pelo tempo em que exerceu funções diplomáticas no nosso país, Donna está a vontade nos meandros políticos de Brasília, onde tem muitos amigos que respeitam sua capacidade como negociadora. E conhece também quem é quem - e quem pode o que - na aviação comercial brasileira.

Desde que chegou, uma série de iniciativas provaram que a Boeing pretende mesmo reforçar sua presença local. Firmou acordos com universidades centros de pesquisa, e selecionou empresas nacionais capazes de absorver tecnologia caso o seu avião A/F-18 seja mesmo selecionado pela FAB. E, mais recentemente, anunciou a implantação no Brasil de um Centro Boeing de Pesquisas Aeronáuticas, o sexto criado pela companhia depois dos similares da Austrália, China, Europa, Índia e Rússia. Isso mostra que para o fabricante o Brasil assume a condição de parceiro potencial, além de cliente.

Com inauguração prevista para 2014, em São José dos Campos, a instalação vai começar empregando de 10 a 12 pesquisadores brasileiros além dos sete funcionários que a empresa já mantém no país. Mais poderá crescer. Jeff Kohler, Vice Presidente da Boeing para Negócios Internacionais, prevê um uso mais amplo dessa instalação: "O Brasil é um país líder em economia... parece o lugar ideal para estar presente, e investir por 10 ou 20 anos, para estar presente em programas futuros".

Tudo indica que o modelo A/F-18 proposto pela Boeing será mesmo o escolhido. Já foi provado pelo uso e em combate, é robusto por ser uma aeronave capaz de operar em porta-aviões, tem boa autonomia e versatilidade nas missões que pode cumprir. E se for mesmo o selecionado, pode ser localmente montado pela Embraer. O fabricante nacional é neutro na seleção do caça para a FAB, mas tem já alguns projetos junto com a Boeing, como a parceria na integração do armamento dos aviões A-29 "Super Tucano" vendidos para a USAF. Boeing e Embraer estão igualmente juntas no desenvolvimento de biocombustíveis - com o apoio da FAPESP - para uso aeronáutico. Mas o projeto conjunto mais ambicioso parece ser mesmo o referente à venda global e ao suporte de pós venda para o cargueiro militar KC-390 da Embraer. Parece um acordo de cavalheiros: a firma brasileira evita entrar na disputa de mercado com jatos concorrentes dos Boeing 737 de menor porte, e a Boeing ajuda a Embraer a vender e dar apoio aos seus cargueiros militares. "Tem outros acordos em discussão para o futuro", confessou Kohler. Até que eles sejam revelados a Boeing aumenta suas vendas comerciais no Brasil, através da companhia Gol, cuja frota inclui apenas jatos Boeing novinhos em folha!