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Revista Amazônia

A Biotecnologia inspira-se na biodiversidade do país, para achar soluções para crise climática

Publicado em 05 agosto 2019

Microrganismos de Campos Rupestres ainda desconhecidos podem ser a chave para o desenvolvimento de cultivares resistentes a condições ambientais extremas

Artigo publicado recentemente na Scientific Data mostra que o desenvolvimento biotecnológico tem muito a aprender com as plantas de Campo Rupestre quando o assunto é adaptação a condições ambientais estressantes. Já se sabe que os microorganismos e plantas têm um papel complementar e simbiótico na ciclagem dos nutrientes essenciais para a planta, como as micorrizas das raízes. Em uma varredura inédita dos organismos associados a duas espécies de Velloziacea, descobriu-se que há muito trabalho pela frente. Uma enormidade de fungos ainda desconhecidos para ciência prevalece nos solos e rochas amostrados. Os microorganismos podem ser a peça-chave para entender a eficiente estratégia destas plantas. Os Campos Rupestres estão localizados em regiões de altitude, sobretudo em Minas Gerais, mas também na Bahia.

Os cenários de futuro convergem. Torna-se imprescindível, conforme demonstram as projeções, a adaptação ao inevitável aumento da temperatura global e redistribuição das chuvas em boa parte do Brasil. Fenômenos extremos como seca e inundações serão mais frequentes. A produção agrícola tem que se preparar.

Associa-se a estas projeções o esgotamento das reservas de fósforo, elemento crucial para o crescimento das plantas. Sem fósforo, não há produção de alimentos. Como nutriente essencial em fertilizantes para a produção de alimentos, o fósforo não tem substituto. O fósforo garante a fertilidade do solo e o alto rendimento das colheitas, apoia os meios de subsistência dos agricultores e, em última análise, a segurança alimentar da população global. No entanto, os agricultores do mundo dependem do fósforo proveniente das rochas finas de fosfato, que estão se tornando mais escassas, caras e concentradas em apenas alguns países: somente o Marrocos controla três quartos das reservas mundiais de fosfato de alta qualidade. Ao mesmo tempo, o uso ineficiente de fósforo em todos os sistemas alimentares está poluindo nossos rios e oceanos, causando a proliferação de algas.

Uma das alternativas de adaptação a este cenário é desenvolver culturas agrícolas capazes de crescer em altas temperaturas, e que simultaneamente economizem água e fósforo. Movido por este desafio, o Centro de Pesquisa em Gênomica para Mudanças Climáticas (GCCRC), por meio de parceria entre Unicamp e Embrapa e financiado pela Fapesp, está se antecipando e buscando inspiração na biodiversidade brasileira para gerar variedades de cultivares agrícolas que sejam capazes de se desenvolver em ambientes limitantes.

“O mundo depende ou dependerá cada vez mais de tecnologias que permitam a produção de alimentos, de energia e de medicamentos de forma mais sustentável. Precisamos diminuir o impacto das atividades humana na natureza e em consequência na alteração do clima”, explica Paulo Arruda, professor do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp e coordenador do GCCRC.