Notícia

Jornal da Unesp

A biblioteca do futuro chegou

Publicado em 01 novembro 1998

A rotina das bibliotecas, quaisquer que sejam elas, envolve inevitavelmente três grandes funções: aquisição de suportes de informação, tratamento desse material e disseminação da informação. O processo de automação pelo qual estão passando visa facilitar e aprimorar essas tarefas cotidianas. Nos últimos meses, a Coordenadoria Geral de Bibliotecas (CGB) da UNESP, com apoio da Assessoria de Informática (AI), tem dado mostras inequívocas de que está seguindo essa trilha de modernidade. Em julho, por exemplo, o órgão deu um passo gigantesco nesse sentido, ao associar-se ao OCLC/Online Computer Library Center. O OCLC é uma instituição americana, sem Fins lucrativos (veja quadro), que presta serviços de acesso a informações bibliográficas mundiais, permitindo, por exemplo, a catalogação de livros on-line. "Ao acessar o programa, via Internet, conseguimos copiar, a partir de pontos de acesso, como título, autor ou assunto, os registros arquivados pelo OCLC, que conta com quase 30 milhões de registros bibliográficos", explica Glaura Oliveira Barbosa de Almeida, coordenadora da CGB. "O trabalho de catalogação, desta forma, é muito mais rápido que nos métodos convencionais", avalia. Na opinião de Margarida Ferreira, bibliotecária de automação da CGB, os profissionais da área vinculados à UNESP estão ganhando, com o novo serviço, um tempo precioso. "Sem precisar digitar os dados dos livros, consegue-se fazer, em média, 100 catalogações por dia, contra as 15 que vinham sendo feitas." Tempo, por sinal, é um problema sério para a Universidade, quando o assunto é catalogação: dos 700 mil livros do acervo de suas 25 bibliotecas, apenas cerca de 29 mil estão em máquina. O contrato inicial com o OCLC permitirá à UNESP fazer, num primeiro momento, até 9 mil registros. ARTIGOS E PERIÓDICOS Waltair Martão A CGB, porém, não está preocupada apenas com a questão da catalogação. Outra iniciativa é colocar em operação as bases de dados da Silver Platter, que são coleções organizadas de registros, sendo que cada registro representa um artigo, livro e citação bibliográfica. Os registros estão divididos em categorias de informação, conhecidas como campos, como título ou autor. Isso permitirá a todas as bibliotecas da Universidade o acesso a mais de duas dezenas de bases de dados em CD-ROM nas diversas áreas do conhecimento humano. As bases estão internadas em um senador, adquirido com verba da Fapesp, localizado na Reitoria. Desta forma, fica cada vez mais fácil para um bibliotecário informar a um eventual pesquisador em qual biblioteca, da UNESP ou de outra instituição, ele poderá encontrar artigos sobre um determinado assunto. "Em vez de haver discos para um único usuário, passam a existir multiusuários para um único disco de dados", afirma Glaura. "Outra vantagem é que a atualização de todos os discos é feita pela própria CGB." Com este serviço, a UNESP passa a ser, segundo dados da empresa Silver Platter Information, a universidade brasileira a possuir o maior número de bases de dados com acesso on-line. O uso crescente dos recursos de informática pelas bibliotecas da UNESP, com aquisição de equipamentos, softwares e treinamento de pessoal, não traz vantagens apenas aos bibliotecários ou aos pesquisadores que buscam um livro ou outro tipo de publicação. O benefício está sendo também dos estudantes do curso de Biblioteconomia da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) do câmpus de Marília, que podem se adaptar melhor à nova realidade da profissão. "Hoje, o bibliotecário é um profissional da informação", afirma José Augusto Chaves Guimarães, coordenador do curso de Biblioteconomia e Documentação da FFC. "Ele deve obter, organizar e fornecer a informação, em qualquer tipo de meio, impresso ou eletrônico, e o estudante, como futuro profissional, necessita estar familiarizado com esta nova realidade." TODA A MEMÓRIA DO MUNDO Instituição presta serviços a 27 mil bibliotecas em todo o planeta Fundado e gerenciado por bibliotecas desde 1967, o OCLC/Online Computer Library Center tem sua sede em Oklahoma, Estados Unidos. É a maior rede internacional de bibliotecas e de organizações de pesquisa, e dedica-se a prestar serviços de acesso à informação mundial a custos reduzidos. Mais de 27 mil bibliotecas em todo o mundo usam os seus serviços para localizar, obter, catalogar, fazer empréstimos e preservar livros e outros materiais bibliográficos. No Brasil, apenas UNESP e USP estão associadas a ele. Os contratos para uso dos serviços do OCLC são anuais e podem ser feitos por qualquer biblioteca, sem restrição. "A biblioteca que se associa passa a fazer parte de uma rede internacional", diz o americano Nicholas Cop, diretor da Divisão para a América Latina e Caribe da organização. De acordo com Cop, no entanto, as vantagens não param por aí. "Possibilidade de catalogação em português, economia no processo de bibliografia, aperfeiçoamento dos serviços aos usuários, promoção internacional do acervo bibliográfico e suporte técnico do OCLC são apenas mais alguns dos benefícios." (W.M.) REFERÊNCIA NACIONAL Bibliotecária da UNESP ministra cursos em todo o País Uma das responsáveis por passar para o computador todo o catálogo das bibliotecas da UNESP que está em papel, a bibliotecária de automação da CGB, Margarida Ferreira, está se transformando em referência nacional graças ao seu domínio do formato bibliográfico USMARC. Trata-se de um formato padrão de armazenamento da informação bibliográfica em meio magnético, independentemente do software usado. Como o País carece de profissionais especializados no assunto, Margarida tem sido convidada a ministrar cursos em bibliotecas de diversas cidades, como Marília, Brasília, Recife e Fortaleza. "Nestes cursos, mostro a estrutura e ensino como se deve usar e manejar o USMARC", explica. Atualmente, Margarida e a bibliotecária Ada Tereza Martinelli coordenam a implantação do Aleph, um software israelense que permitirá a todas as bibliotecas da Universidade a consulta do acervo via Internet. Em novembro, Margarida lançará, durante o X Seminário Brasileiro de Bibliotecas Universitárias, em Fortaleza, um trabalho publicado pela Editora UNESP intitulado Introdução aos formatos bibliográfico e de autoridade USMARC. "A obra fornece um panorama geral para o profissional entender esse formato, a partir de sua história e das áreas que compõe", diz a especialista. (W.M.)