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Vale Paraibano

A batalha do etanol

Publicado em 27 outubro 2009

O discurso de Barack Obama, na semana passada, mostrou claramente que a mudança da matriz energética será o principal ponto para investimento tecnológico dos Estados Unidos na próxima década.

O investimento americano é no chamado etanol de segunda geração, o celulósico, produzido a partir da madeira.

Esses temas foram tratados no Bioen Workshop, promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e acompanhado pela repórter Lilian Milena, da Agência Dinheiro Vivo.

No etanol de cana, no Brasil, na transformação de açúcar em álcool o rendimento é superior a 90%. O pesquisador do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Daniel Atala, estima ser possível chegar a 100% e aproveitamento nos próximos anos, com a melhora no processo de fermentação.

O Brasil poderá dobrar a produção utilizando também resíduos, bagaço e palha. Mas é nessa área que os Estados Unidos estão à frente.

Hoje em dia, o Brasil processa etanol celulósico em quatro fases. Convidado do workshop, o pesquisador norte-americano Lee Lynd explicou a técnica do bioprocessamento consolidado (CBP, na sigla em inglês), que reduz o processo a uma fase apenas, utilizando microorganismos geneticamente modificados.

O CBP foi tema da monografia do pesquisador, em 1979, apurou Lilian. Desde então os estudos de Lynd têm sido fundamentais para o desenvolvimento do etanol de segunda geração nos Estados Unidos, sendo também um dos líderes do Projeto Global Sustainable Bioenergy: Feasibility and Implementation Paths - equipe formada por cientistas de vários países que se uniram para estudar biocombustíveis.

Antes disso, nos próximos dois anos, segundo Atala, o mundo será capaz de produzir comercialmente o etanol de segunda geração.

Segundo Lynd, o maior obstáculo a transpor são os custos de processamento - a Mascoma, empresa fundada por Lynd, estaria próximo de obter a aplicação comercial do processo. A partir do domínio da tecnologia, se estaria em condições de abastecer de álcool até 25% da frota mundial de veículos.

Em sua opinião, a cana continuará sendo a matéria-prima mais eficiente. No caso brasileiro, há a vantagem da cultura ser mais sustentável em relação às espécies plantadas com a mesma finalidade pelo mundo - tem baixas emissões de gases estufa, elevada produção de combustível por hectares e menores impactos sobre a poluição da água.

No evento, a Petrobras apresentou seus projetos de exportação de biocombustíveis. Em 2007, e empresa inaugurou uma planta-piloto para estudos em hidrólise enzimática. As pesquisas estão sendo conduzidas pelo Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes), na Ilha do Fundão, Rio de Janeiro.

Outro grupo de pesquisa do etanol celulósico está no Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), do Ministério de Ciência e Tecnologia. Já a Fapesp, tem parcerias com as empresas Dedine e Oxiteno no desenvolvimento do etanol de celulose.