Notícia

Gazeta Mercantil

A agricultura de proveta já colhe lucro

Publicado em 15 janeiro 1996

Por Jenell Wallace - Bloomberg
É a chamada soja que não morre — uma variedade tão resistente que permanece em pé mesmo depois que uma dose do poderoso herbicida Roundup, da Monsanto Co., ter secado a planta. A própria Monsanto desenvolveu a planta, por meio de sua ampla pesquisa de manipulação genética. A pesquisa ajudou a empresa a receber uma enxurrada de aprovações este ano, para a comercialização de produtos melhorados geneticamente. A companhia informa que começará a colher lucros com essa nova frente de negócios já em 1997. "Na biotecnologia, estamos na fronteira de uma verdadeira revolução da agricultura", diz Arnold Donald, presidente da unidade de proteção de safras da Monsanto. Como resultado, as ações da Monsanto estão tendo um comportamento mais semelhante ao de ações voláteis do setor de biotecnologia, como a Amgen Inc., do que o de um prosaico fabricante de produtos químicos agrícolas. As ações da empresa subiram 76% no ano passado. "A percepção de que a biotecnologia agrícola é uma área de crescimento bastante atraente, e o fato de que parece estar na vanguarda estão ajudando a impulsionar as ações da Monsanto", informa Manuel Pyles, analista da A. G. Edwards Inc., em St. Louis, Lousiania. Para os analistas, o mercado de plantas e produtos gerados pela biotecnologia agrícola pode atingir vários bilhões de dólares por ano, até o ano 2000. Não se conhece o total atual das vendas, mas acredita-se que sejam poucas, já que o setor está em sua infância, e só tem poucos produtos comerciais. A Monsanto gastou centenas de milhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento de biotecnologia, e começa a abrir promissoras perspectivas de negócios. No ano passado, por exemplo, a empresa recebeu a aprovação legal nos EUA para o seu gene do algodão, resistente a insetos; para milho e batata resistentes a insetos, a soja resistente ao Roundup e a uma nova tecnologia genética que atrasa o amadurecimento dos tomates. A maior parte destes produtos deve estar no mercado em 1996 e 1997. A empresa também concordou em pagar US$ 30 milhões por uma participação de 49,9% na Calgene Inc., que desenvolveu o primeiro tomate manipulado geneticamente. Estas ocorrências se seguem à aprovação pela Food and Drug Administration (FDA) da autorização para venda do Posilac, um hormônio que aumenta a produção de leite das vacas em 10% a 15%. A empresa, que esperou quase dez anos pela aprovação para a comercialização do hormônio, já começou a vender o Posilac, mas não revela o total de vendas. "Eles com certeza estão à frente no comprometimento de capital e de pesquisa para a indústria de biotecnologia", disse Fred Siemer, analista independente em Nova York. O maior produto agrícola da Monsanto, e o herbicida mais vendido no mundo, é o Roundup, que acaba de completar 25 anos. As encomendas aumentaram 32% nos primeiros nove meses deste ano. E a expectativa é a de um aumento nas vendas. Agricultores de todo o mundo, do estado americano de Illinois à região do cerrado brasileiro — considerada por alguns a última fronteira agrícola do mundo — cada vez mais adotam técnicas conservacionistas como o plantio direto. Essa prática reduz a movimentação de terra, a fim de impedir a erosão do solo, e requer maior quantidade de herbicidas para exterminar as ervas daninhas. A unidade agrícola da Monsanto, que inclui sua divisão de biotecnologia e a Solaris, divisão de produtos para jardinagem, apurou um crescimento de 46% no lucro operacional, para o terceiro trimestre. No ano passado, a unidade agrícola gerou US$ 2,22 bilhões em vendas, quase 27% do total da Monsanto, que foi de US$ 8,27 bilhões. A unidade representou 52% dos US$ 923 milhões da receita operacional da empresa.