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Revista Controle & Instrumentação

8º congresso brasileiro de inovação da indústria

Publicado em 01 julho 2019

O 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria - realização da CNI - Confederação Nacional da Indústria- e do Sebrae- Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - discutiu tendências, ideias e visões para uma agenda consistente em prol elo desenvolvimento do país. Com a presença do presidente do Sebrae, Carlos Melles, do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, e do governador de São Paulo, João Doria, a abertura do congresso ressaltou a importância da inovação, no país, no campo da tecnologia, para que novos empregos sejam gerados, e a indústria continue em plena atividade. 

A inovação tem capacidade de transformar e melhorar as pessoas, além de tornar o consumo mais acessível, para o presidente da CNI, mas exige profissionais bem capacitados, que fortalecem a economia de um país. "É, portanto, essencial colaborarmos para um ecossistema de inovação sólido, em que o setor público, sistema privado e a academia trabalhem em consonância. Se os desafios são muitos, é de extrema importância conhecermos e darmos visibilidade às iniciativas exitosas e parcerias de sucesso no Brasil. E isso é feito por profissionais consistentes, e que não recuaram diante das adversidades". "Temos um compromisso com a indústria 4.0, o desafio da consolidação da indústria. E não há possibilidade de avançar em tecnologia sem uma ação conjunta entre o poder público e privado, bem como entre aqueles que representam os poderes executivo e legislativo", disse o governador João Daria, destacando que o apoio à tecnologia e à o - - ; o 1 motivação são necessários ao país. Também participaram da abertura do evento, Júlio Semeghini, secretário executivo do Ministério de Ciência Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), e Joyce Hasselmann, Deputada Federal e líder do governo no Congresso Nacional. 

O Congresso reuniu 65 palestrantes de 12 países, e mais de 6 mil participantes, ao longo dos dois dias. A estagnação da produtividade da economia brasileira, nos últimos anos, se deve, entre outros fatores, à baixa atividade de inovação do setor industrial no país, e, para mudar esse quadro, serão necessárias políticas públicas que fortaleçam a agenda da inovação e, principalmente, um esforço maior da iniciativa privada em incorporá-la. "O Estado tem o papel importante de alavancar o investimento e o esforço do setor privado em inovação. Mas o protagonismo nessa seara é, fundamentalmente, da iniciativa privada", disse Carlos Américo Pacheco, diretor presidente do Conselho Técnico-Administrativo (CTA), da FAPESP, durante o evento. Segundo Jorge Almeida Guimarães, diretor-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Emprapiilt há 307 mil empresas classificadas como indústrias no Brasil, das quais 83% são pequenas empresas. 

Mas, é preciso estimular a inovação nas pequenas indústrias brasileiras, isso representa um enorme desafio. e custa caro. "Precisamos de políticas públicas que facilitem esse processo", disse. Políticas públicas ele apoio à inovação deveriam ter foco não só na inovação disruptiva, baseada em pesquisa e desenvolvimento (P&D), mas também na inovação incrementai, recomendou lgor Nazareth, subsecretário de inovação do Ministério da Economia, para quem também é necessário estimular a difusão de tecnologias existentes, como de Internet das Coisas, big data, robótica avançada e inteligência artificial, para permitir que o setor industrial brasileiro se capacite a atender as exigências da indústria 4.0 e da manufatura avançada. Na avaliação dos palestrantes, apesar das crises estruturais, houve progresso no Brasil, nos últimos 20 anos, com a criação da Lei de Inovação, por exemplo, que trouxe uma série de avanços para aumentar a interação entre universidades e empresas em pesquisas, e que estabeleceu incentivos fiscais para a inovação no setor industrial. Mas, um dos desafios das políticas públicas, voltadas a estimular a inovação, é garantir a segurança jurídica para as empresas fazerem investimentos nessa atividade. Todos reconheceram que é fundamental o entendimento de que a inovação é um processo contínuo, e que o país não pode continuar com processos espasmódicos. E está mais que na hora de se perceber que as políticas de inovação são transversais, e influenciam as políticas econômicas e sociais. desenvolvimento da aviação de combate militar. A executiva compartilhou suas experiências relacionadas ao desenvolvimento do caça Gripen, e pontuou como as empresas podem promover a inovação em sua estrutura, incorporando novas tecnologias de produção que, muitas vezes, acontecem fora de suas respectivas indústrias. "Vivemos em tempos disruptivos, com inovações tecnológicas acontecendo a todo tempo ao nosso redor. Com o amadurecimento da Inteligência Artificial (AI), e com o uso de Big Data, podemos prever novas tecnologias de produção, que irão possibilitar oportunidades empolgantes. já podemos ver start-ups sendo criadas em diversos segmentos de indústria, aplicando essas tendências inovadoras. Tais mudanças também estão alcançando os segmentos militares e a indústria de defesa - além de outras áreas consideradas mais tradicionais, como a indústria aeronáutica", disse Lisa Âbom, vice-presidente e diretora de Tecnologia da área de negócios Aeronautics, da Saab. 

A executiva contou como a Saab trabalha em estreita colaboração com seus clientes, inclusive a Força Aérea Brasileira, para o aprimoramento das aeronaves para as próximas décadas. "O Gripen já é bastante avançado, no que diz respeito à coleta de dados, fusão de dados, e apoio à tomada de decisão do operador. As diferentes plataformas compartilham informações entre si, promovendo uma maior consciência situacional. No futuro, um número ainda maior de vetores terrestres, navais e aéreos irão coletar informações, e compartilhá-las entre si. Estamos falando de um 'sistema de sistemas' no qual o Gripen poderá estar voando com outras aeronaves, inclusive plataformas não tripuladas. 

O desafio é trazer todas essas novas tendências, considerando um contexto em que precisamos ser mais competitivos em custo de produção, e mais ágeis no tempo entre desenvolvimento e disponibilização de novas soluções para o mercado", completou a executiva. Grande parte do Programa Gripen está sendo desenvolvido em parceria com empresas brasileiras no país. O Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (GDDN), localizado na planta da Embraer em Gavião Peixoto/SP, é o hub ele desenvolvimento do Gripen no Brasil, onde acontece grande parte da transferência de tecnologia para as empresas brasileiras parceiras do programa. 

O Congresso quis mostrar que investir em inovação pode representar o passaporte para os pequenos negócios alcançarem um crescimento sustentável. Pesquisa realizada pelo Sebrae, junto a empresários que participaram do Projeto Agente Local de Inovação (ALI), revelou que cerca de 45,2% conseguiram alcançar um crescimento no lucro mensal, e 46,2% conquistaram aumento em seu faturamento, de até 40%, como resultado de seus investimentos em inovação. Durante o Congresso, o Sebrae apresentou os resultados de um estudo que mostra o panorama de corporate venture no Brasil, sob uma perspectiva de sensibilização de grandes empresas, para que adotem essa agenda como geradora de valor em suas ações de inovação. O conceito de Corporate Venture contempla o universo de grandes corporações, que investem em pequenos negócios inovadores para desenvolvimento tecnológico e geração de novos negócios. A Embrapii - Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial -e a Rede Cornet, que reúne agências de fomento à inovação de diversos países, oficializaram uma parceria, que permitirá que pequenos e médios empresários, incluindo startups, desenvolvam projetos de Pesquisa Desenvolvimento e Inovação (PD&I) com a indústria dos países membros participantes da rede. O acordo foi oficia lizado durante o Congresso pelo diretor presidente da Embrapii, Jorge Guimarães, e o representante do Departamento de Políticas e Inovação Tecnológica do Ministério da Economia da Alemanha (BMWi), Ole Janssen. Uma chamada pública ficará aberta até 25 de setembro para os interessados, que devem montar consórcios com pelo menos três empresas, e apresentar uma proposta que promova a inovação em todo o setor industrial ao qual pertencem. O projeto também deve envolver as associações de setores industriais. 

Empresas de grande porte podem também participar, desde que em consórcios com pequenas e médias empresas e startups. Os projetos financiados pela Cornet têm valor médio de R$ 600 mil, e a Rede mantém parceria com 11 países, além do Brasil: Alemanha, Áustria, Bélgica, Canadá, Polônia, Japão, Holanda, Suíça, República Checa e Peru. Cada país financia suas respectivas empresas e instituições de pesquisa - no Brasil, as empresas devem estar associadas à rede credenciada de 42 Unidades Embrapii para o desenvolvimento do projeto, e a Embrapii garante 1/3 de recursos não reembolsáveis. A visão de longo prazo para o desenho de políticas de incentivo à inovação ainda é um entrave a ser superado no Brasil. 

"A desintegração das esferas de governo é uma barreira adicional para que os empreendedores consigam configurar, não apenas o conjunto de recursos para a inovação, mas para o próprio funcionamento do seu negócio", afirmou o diretor técnico do Sebrae, Bruno Quick, no painel de encerramento do Congresso. Para o executivo, esta situação compromete a característica da política pública para a inovação. Convidado internacional, Ole Janssen, diretor-geral adjunto de Política da Inovação e Tecnologia, do Ministério da Economia alemão, ressaltou que um dos principais pontos da política de inovação de seu país parte do princípio de que é preciso proporcionar um ambiente de inovação, ao invés de detê-la, como muitas nações ainda o fazem. O aspecto coletivo e de longo prazo da inovação foi ressaltado por Frederick Bordr diretor de Aceleradores e Tecnologia (CERN). E houve uma discussão sobre Mulheres Inovadoras, com números, fatos e impactos, no Brasil e no mundo, com participação de Gianna Sagazio, diretora de Inovação da CNI e superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lodi; Tânia Cosentino, presidente da Microsoft Brasil; Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil; Heloisa Menezes e Lourdes Casanova, da Universidade de Cornell; e Josie Romero, vice-presidente de Operações e Logística, da Natura.