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Profissão Biotec

8 cientistas brasileiras que se destacaram no combate à COVID-19

Publicado em 08 março 2021

Por Profissão Biotec

Nos últimos meses, as atenções da ciência (e do mundo!) estiveram voltadas para a pandemia da COVID-19. Diversos cientistas se destacaram, trabalhando em diferentes linhas de pesquisa e projetos, desde a identificação do coronavírus até a produção das vacinas e a divulgação científica.

Na semana da mulher, o Profissão Biotec destaca 8 brasileiras que foram protagonistas no combate à  pandemia, reforçando a importância da participação feminina na ciência.

1 – Ester Cerdeira Sabino

A Dra. Ester Sabino é médica, com doutorado em imunologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente é professora associada do Departamento de Moléstias Infecciosas da Faculdade de Medicina da USP, participando de projetos de sequenciamento do genoma do Zika vírus, além de ter sido diretora do Instituto de Medicina Tropical da USP.

A Dra. Ester liderou o grupo de pesquisa que realizou o sequenciamento completo do genoma do coronavírus (SARS-CoV2) em apenas 48h, após o primeiro caso confirmado de coronavírus na América Latina. Essa análise auxiliou na caracterização das semelhanças entre os coronavírus identificados em diferentes países.

“Com as sequências genéticas, e já são mais de 250 depositadas no GISAID (iniciativa científica global e fonte primária estabelecida em 2008 que fornece acesso aberto a dados genômicos de vírus), pudemos ver as semelhanças entre os vírus identificados em cada um dos mais de 100 países em que já foi encontrado. Essa informação pode ajudar, principalmente no começo, para direcionar ações de saúde, identificando os focos a partir dos quais se deu a transmissão e tomando as medidas de precaução, com o isolamento de lugares públicos. Mas só conseguiremos fazer isso se formos capazes de detectar os casos rapidamente. Não é fácil”, afirmou a Dra Ester em entrevista à Revista Pesquisa Fapesp.

Recentemente, a Dra. Ester publicou um artigo sobre a rápida disseminação da COVID-19 no estado do Amazonas, na importante revista científica Science. O estudo foi realizado pelo grupo da pesquisadora em colaboração com cientistas do Reino Unido e Estados Unidos.

2 – Jaqueline Góes de Jesus

Jaqueline Góes é graduada em Biomedicina  pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública), mestre em Biotecnologia  pela Fiocruz) e doutora em Patologia Humana e Experimental  pela Universidade Federal da Bahia). Atualmente faz pós-doutorado no Instituto de Medicina Tropical (USP), onde faz parte do grupo de pesquisa da Dra. Ester Sabino. A Dra. Jaqueline utilizou seus conhecimentos no desenvolvimento e aprimoramento de protocolos de sequenciamento de genomas de vírus para o rápido sequenciamento do coronavírus (SARS-CoV2), no tempo recorde de 48h.

No final de 2020, a cientista foi convidada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para integrar o #TeamHalo, iniciativa que reúne diversos pesquisadores com o objetivo de promover a divulgação científica sobre a COVID-19 no TikTok.

 “Trazer informações para a população sobre o que temos feito em uma linguagem mais simples é uma forma de devolver à sociedade todo o investimento que tem sido feito ao longo dos anos. Eu criei um perfil no TikTok para começar a produzir conteúdo para o projeto e estou gostando bastante. Estou aprendendo a usar a ferramenta e descobrindo um mundo de possibilidades criativas”, afirma Jaqueline em entrevista à Agência Brasil.

3 – Daniela Barretto Barbosa Trivella

Daniela Trivella é graduada em Ciências Biológicas, com mestrado em Biotecnologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutorado em Ciências Físicas Biomoleculares pela USP. Também realizou pós-doutorado na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), na Universidade da Califórnia (EUA) e na Universidade de Nottingham (Inglaterra).

Atualmente é coordenadora científica no Laboratório Nacional de Biociências do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (LNBio-CNPEM), e na pandemia coordena a força-tarefa da COVID-19 do LNBio/CNPEM, que abrange projetos de estudos estruturais e biofísicos com proteínas do SARS-CoV-2 e reposicionamento de fármacos contra a COVID-19. A estratégia é buscar algum medicamento já existente, e utilizado para uma outra doença, que tenha eficácia contra o coronavírus.

Segundo a própria Dra. Daniela, em uma entrevista para o Serrapilheira, dificilmente um único fármaco será suficiente para tratar a COVID-19, visto que nas doenças causadas por vírus, na maioria dos casos são utilizados coquetéis de fármacos. “Estou muito feliz de ver como a ciência vem se organizando nesta pandemia e como os cientistas estão colaborando em torno de um problema comum, na escala local e mundial. De fato, a ciência pode mudar o mundo!”, destaca a pesquisadora.

4 – Nísia Verônica Trindade Lima

Nísia Trindade atualmente é presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a primeira mulher a ocupar esse cargo em 120 anos da Instituição. A Dra. Nísia  é graduada em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestre em Ciência Política e doutora em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IESP). 

A Dra. Nísia lidera as ações da Fiocruz durante a pandemia da COVID-19, e já coordenou operações muito importantes, tais como:

  •  Instalar um Centro Hospitalar no campus de Manguinhos;
  •  Coordenar ensaios clínicos da vacina desenvolvida pela a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca que foram testadas no Brasil;
  •  Aumentar a capacidade nacional de produção de kits de diagnóstico e processamento de resultados de testagens da COVID-19;
  • Oferecer cursos virtuais de manejo clínico e atenção hospitalar para pacientes de COVID-19 para profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS);
  • Organizar ações emergenciais junto a populações vulneráveis;
  • Desenvolver o Observatório COVID-19, rede transdisciplinar que realiza pesquisas, monitora dados epidemiológicos e divulga informações sobre COVID-19;

Todas essas ações tornaram a Fiocruz referência para a OMS em COVID-19 nas Américas. Agora, com a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para o uso emergencial da vacina de Oxford/AstraZeneca, a Fiocruz se prepara para receber a transferência tecnológica dessas instituições e para a produção de milhões de doses dessa vacina no Brasil, parceria coordenada pela Dra. Nísia.

5 – Natália Pasternak Taschner

Natália Pasternak é uma divulgadora científica que teve um papel de destaque na promoção da divulgação científica sobre a COVID-19.  A Dra. Natália é graduada em Ciências Biológicas e doutora em Microbiologia pelo Instituto de Ciências Biológicas da USP com pós-doutorado também pelo mesmo programa. É pesquisadora visitante do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas (USP) e professora convidada da Fundação Getúlio Vargas. Atualmente, também é Publisher da Revista Questão de Ciência e diretora-presidente do Instituto Questão de Ciência, primeiro instituto brasileiro dedicado à defesa do uso de evidência científica nas políticas públicas.

Em 2020, a Dra. Natália participou de palestras, lives e programas de TV, e escreveu colunas e artigos para importantes meios de comunicação, além de atuar ativamente nas redes sociais. Ela foi uma voz de destaque da ciência para disseminação das informações corretas sobre prevenção e tratamento da COVID-19.

Por seu trabalho no combate à desinformação em saúde, recebeu o Prêmio Ockham de Ativismo Cético em 2020 (The Ockham Award), premiação internacional que reconheceu o impacto de seu trabalho de divulgação científica, que atingiu não somente o Brasil, mas também a América do Sul e outros países do mundo. Além disso, também foi convidada pela ONU para integrar a equipe de pesquisadores do #TeamHalo, grupo de cientistas que promove esclarecimentos sobre vacinas no TikTok.

6 – Daniela Mulari Ferreira

Daniela Ferreira foi a primeira mulher a chefiar o departamento de Ciências Clínicas da Escola de Medicina Tropical de Liverpool no Reino Unido, coordenando os centros que estudam a eficácia da vacina contra a COVID-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca.

A Dra. Daniela possui graduação em Ciências Biológicas e doutorado em Imunologia e Biotecnologia pela USP. Realizou pós-doutorado na Liverpool School of Tropical Medicine (Reino Unido). Atualmente ela é professora e chefe do Departamento de Ciências Clínicas nessa mesma universidade.

“Estar à frente de um centro de pesquisa nesse estudo foi um dos maiores desafios da minha carreira, mas também mais satisfatório. Ser uma mulher brasileira e liderar uma equipe em que 97% são mulheres me deixa muito feliz e orgulhosa. Um dia vou olhar para trás e falar: Nossa, eu contribuí para fazer uma vacina que vai mudar o rumo da humanidade. É um trabalho bem intenso, mas também gratificante. Além disso, é prazeroso ver pessoas nos ajudando ao longo do processo, sejam médicos e enfermeiras trabalhando, muitas vezes até de graça, como voluntários que vieram testar a vacina”, afirmou Dra. Daniela à ONU Brasil.

Devido a importância do seu trabalho, a Dra. Daniela recebeu o convite da ONU para integrar o #TeamHalo (mesmo grupo do qual também fazem parte as cientistas brasileiras Jaqueline Góes e Natália Pasternak) a fim de demonstrar a rotina no trabalho e esclarecer dúvidas sobre COVID-19 por meio de vídeos no TikTok.

7 – Margareth Maria Pretti Dalcolmo

A Dra. Margareth Dalcomo participou ativamente de pesquisas clínicas, assessoria e divulgação científica durante a pandemia. Sua longa experiência na área de doenças respiratórias foi um dos motivos para o seu destaque no enfrentamento da COVID-19.

A Dra. Margareth é médica graduada pela Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, com doutorado em Medicina (Pneumologia) pela Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Pesquisadora da Fiocruz, atuando em pesquisa clínica e tratamento da tuberculose e outras micobacterioses, também atua como docente da Pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). 

Durante a pandemia da COVID-19, a Dra. Margareth atuou como assessora do  Ministério da Saúde (na gestão do ministro Luiz Henrique Mandetta) e do governo do Estado do Rio de Janeiro (entre os meses de março e maio de 2020). A pneumologista também coordena o Brace Trial Brasil, um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz que avalia o impacto da vacina BCG (utilizada para prevenir as formas graves de tuberculose na infância) na prevenção da COVID-19 em profissionais de saúde. 

8 – Rosana Richtmann

A Dra. Rosana foi a única mulher a participar do anúncio da vacina Coronavac, no Instituto Butantan. “Fiquei muito feliz de ter sido convidada e poder fazer parte disso, mas acho que é uma coisa que a gente precisa refletir. A maior parte das pessoas envolvidas em ‘carregar o piano’ da pesquisa são mulheres. Mas parece que, na hora de mostrar a vacina, essa proporção foi embora”, destacou a Dra. Rosana em entrevista ao Universa, do UOL.

Rosana Richtmann é médica graduada pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e com doutorado em Epidemiologia Hospitalar pela Albert-Ludwigs Universitat Freiburg (Alemanha). Atualmente é médica do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (SP), e diretora científica do departamento de infectologia do Centro de Imunização do Hospital e Maternidade Santa Joana (SP).

Além de trabalhar no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na linha de frente da COVID-19, Dra. Rosana foi voluntária dos testes clínicos da vacina da Pfizer no Brasil e participa constantemente de entrevistas e programas nos meios de comunicação, promovendo a conscientização da população. Uma de suas  contribuições para a divulgação científica está em uma série de vídeos no site Vacina Já (vinculado ao governo do Estado de São Paulo), em que a médica responde a perguntas frequentes, como o uso de máscara após a vacinação, contra indicações da vacina e intervalo de aplicação das doses e efeitos colaterais.

Esses são apenas alguns exemplos de cientistas brasileiras que participaram ativamente do enfrentamento à COVID-19 e destacaram-se em diferentes áreas. O Profissão Biotec agradece a essas pesquisadoras, e a tantas outras cientistas, que diariamente comprovam a importância da participação feminina nos avanços científicos!

Texto revisado por Natália Videira e Jennifer Medrades

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