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Cruzeiro do Sul online

60% dos latinos terão acesso à internet

Publicado em 13 maio 2015

O acesso à internet na América Latina crescerá 20% em 12 meses para chegar a 60% em 2016, um aumento que deve impulsionar melhorias nos regulamentos locais e medidas educativas - estima o órgão regulador sobre o assunto. De acordo com o Registro de Endereços da Internet para a América Latina e o Caribe (LACNIC), com sede em Montevidéu, mais da metade dos latino-americanos têm acesso à internet hoje. Este percentual deve crescer para 60% ao longo dos próximos 12 meses, segundo um relatório da entidade.

 

Ainda este ano, cerca de 370 milhões de pessoas usarão a internet na América Latina e no Caribe, 62 milhões de usuários mais do que em 2014. O diretor do LACNIC, o mexicano Oscar Robles, ressaltou que para acompanhar este crescimento, devem ocorrer adaptação e melhoria das regulamentações locais e dos processos educacionais para preparar os usuários. "A densidade de provedores" cria "uma situação díspar" para o crescimento do acesso à web no continente, afirmou Robles referindo-se à importância de adaptar os regulamentos de cada país.

 

Nesse sentido, ressaltou que o Brasil, por exemplo, tem uma regulamentação flexível que permite a geração de vários provedores de serviços (mais de quatro mil em todo o país), que permitem a conexão em áreas remotas no vasto território brasileiro. Do lado oposto, disse ele, no México, o número de provedores é insuficiente para o tamanho do país (menos de 50). O Estado também desempenha um importante papel na democratização do acesso "no nível da promoção e da conscientização de que a internet é um passo para satisfazer as necessidades da sociedade", estimou Robles.

 

No Uruguai, por exemplo, "o Plano Ceibal (que deu gratuitamente às crianças de escolas públicas laptops e dotou os prédios das escolas com internet wi-fi) gerou uma massa de novos usuários". Esta iniciativa vai além das próprias crianças já que "torna as casas mais expostas à tecnologia" e permite que alguns setores da população se prepararem para o uso de tecnologias que serão requisitadas depois no mercado de trabalho, avaliou.

 

Ao mesmo tempo, deve-se dar as condições para aqueles que acessam a internet pela primeira vez, "tenha mais consciência sobre os riscos de segurança e privacidade" inerentes à rede. Dos últimos seis meses até agora, o LACNIC respondeu a 70 "incidentes de segurança informática" na região, que incluem tentativas de roubo de identidade, acesso não autorizado a sistemas e bloqueio de serviços. Robles também chamou a atenção para o volume de spams que ocorre na região: 38 milhões por mês. Trata-se, segundo o LACNIC, de um fenômeno que afeta o bom funcionamento da web. Estar conectado hoje, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), é um direito humano.

 

No Brasil

Há 20 anos, quando poucos tinham acesso à internet, o Brasil e o mundo viam o nascimento daquilo que mudaria tudo. O acesso comercial à rede -- antes reservada a computadores em universidades em diversos países -- foi o que permitiu o surgimento de enciclopédias abertas, ferramentas de comunicação em diferentes formatos, publicadores de notícias e do comércio eletrônico.

 

No início, a internet era uma rede que ligava universidades ao redor do mundo. O Brasil, por exemplo, se conectava a outros países através de redes que partiam da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Laboratório Nacional de Computação Científica, no Rio de Janeiro, e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). (Mauricio Rabuffetti, com Redação)