Notícia

A Tarde (BA)

60% das crianças baianas podem sofrer de anemia

Publicado em 30 junho 2000

Causada pela diminuição da massa de glóbulos vermelhos no sangue, a anemia é responsável por distúrbios que podem, inclusive, afetar a aprendizagem das crianças. Um estudo realizado, recentemente, pela Fundação de Ampara à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) constatou cidades brasileiras, 58% das crianças atendidas em postos e centros de saúde têm anemia. Na Bahia, a média pode chegar a 60% na avaliação da pediatra Isa Lyra, membro do comitê de hematologia pediátrica da Sociedade Baiana de Pediatria. "As condições socioeconômicas favorecem, no Estado, a anemia causada por deficiência de ferro, chamada ferrorípera", acrescentou a pediatra. A anemia ferrorípera pode ser corrigida com a reposição de ferro, presente em vários alimentos. O problema é que, enquanto entre as populações pobres a alimentação adequada não acontece por falta dos seus componentes, entre os grupos mais favorecidos ela deixa de ser utilizada por maus hábitos alimentares. "Os refrigerantes, consumidos em excesso, por exemplo, interferem na absorção de ferro", explicou a pediatra. Já as frutas, vegetais, açúcar mascavo, entre outros alimentos, são fortes aliados no combate à anemia que pode provocar, além dos distúrbios de aprendizagem, exposição às infecções variadas. "As crianças devem passar a receber suplemento de ferro a partir do quarto mês de vida", completou a pediatra. PERIGO Entre os tipos de anemia encontrados na Bahia, a denominada falciforme se destaca por sua gravidade. De origem genética, ela não tem cura, mas pode ser tratada. A doença provoca distúrbios como edemas articulares e ósseos - inchaço nas mãos, braço -, infecções, aumento do baço, entre outros. A anemia falciforme chegou ao Brasil com o tráfico de escravos. A mistura racial, característica marcante da Bahia, facilitou a proliferação do gene causador da doença. A miscigenação possibilitou também uma diversificação no gene, o que ampliou as apresentações clínicas da anemia falciforme, que variam de acordo com o paciente. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, mundialmente, em cada grupo de 500 crianças, uma possui o gene da anemia falciforme. "Estamos batalhando por medidas que permitam um amplo trabalho de prevenção, inclusive por intermédio da legislação. Instrumentos como o teste do pezinho podem contribuir para se prevenir a doença", acrescentou Isa Lyra. A pediatra contou que, semanalmente, no ambulatório do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes) e no ambulatório do Hemoba, identifica de quatro a cinco casos de anemia falciforme.