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50 anos contribuindo com o Brasil: Indicadores mostram retorno dado pela Unicamp nas últimas cinco décadas

Publicado em 17 outubro 2016

Cinquenta anos separam a Unicamp do lançamento de sua pedra fundamental. Passadas cinco décadas desde a fundação em 5 de outubro de 1966, sua presença produziu impactos significativos nos planos regional e nacional. A Universidade abriga atualmente 8% da pesquisa acadêmica brasileira e 12% da pós-graduação nacional. A média anual de teses e dissertações defendidas é de 2,1 mil e 99% de seus professores possuem título de doutor. Esse batalhão do ensino e pesquisa lidera o ranking nacional per capita de publicações científicas nas revistas internacionais catalogadas. “Se a produção acadêmica for calculada pelo desempenho de cada pesquisador, a Unicamp é, atualmente, a mais produtiva universidade brasileira”, analisa o reitor José Tadeu Jorge.

 

A relevância dessa produção científica pode ser verificada na participação direta da Unicamp em pesquisas que alcançaram repercussão nacional e internacional. Entre elas, o desenvolvimento da primeira fibra ótica nacional (1979); o Programa Biota-Fapesp, criado para identificar, mapear e investigar as características da fauna, da flora e dos microrganismos do Estado de São Paulo (1999); o Projeto Genoma, financiado pela Fapesp, que decifrou o sequenciamento genético da bactéria Xyllela fastidiosa, causadora da praga do amarelinho, doença que afeta 30% dos laranjais paulistas (2000); e o sequenciamento genético da levedura Saccharomyces cerevisiae, que responde por 30% da produção de etanol no Brasil (2009).

 

Segundo o reitor Tadeu Jorge, as conquistas alcançadas nestes 50 anos estão diretamente relacionadas ao regime de autonomia de gestão financeira com vinculação das receitas orçamentárias à arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) paulista, que teve início em 1989. “A partir daquele momento, o desempenho da Unicamp passou a apresentar saltos quantitativos e qualitativos de grande impacto no cenário nacional”, analisa.

 

De fato, os indicadores são significativos. Todos os anos, cerca de 800 doutores são formados, uma marca capaz de despertar admiração até mesmo em líderes de algumas universidades americanas e europeias. E em cinco décadas, a Unicamp formou mais de 65 mil jovens profissionais em seus cursos de graduação. Além disso, milhares de profissionais formados na Universidade atuam em empresas, governo e organizações sociais, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do país. Como polo de científico e cultural, a Universidade reuniu grandes nomes no meio acadêmico. Entre eles, Cesar Lattes, André Tosello, Gleb Wataghin, Vital Brasil, Giuseppe Cilento, Octávio Ianni, Almeida Prado e Bernardo Caro, entre muitos outros.

 

Transformar conhecimento científico em negócios bem sucedidos também tornou-se uma especialidade entre ex-alunos e ex-pesquisadores da Unicamp. Nos arredores da Universidade, empresas de professores, ex-professores e ex-alunos, idealizadas em suas salas de aula, formam a versão brasileira do Vale do Silício, o polo de inovação científica e tecnológica criado em torno de universidades americanas. Essa “Califórnia Campineira” é formada por 434 “empresas filhas”, que proporcionam mais de vinte mil empregos diretos e faturam mais de R$ 3 bilhões por ano.

 

“A Unicamp nos possibilitou acesso à enorme quantidade de conteúdo e pesquisa de ponta, incluindo a colaboração com centros de pesquisa fora do Brasil”, diz César Gon, que concluiu mestrado em Ciência da Computação em 1995 e hoje é um dos proprietários da CI&T, especialista global em soluções digitais escolhida por empresas líderes para conduzir suas iniciativas mais inovadoras. No ano em que celebrou duas décadas de existência, a empresa faturou R$ 340 milhões e estima ultrapassar R$ 400 milhões em 2016.

 

“Segundo Gon, o relacionamento com professores que são PhDs e referências em suas áreas de especialização, além do ambiente de empreendedorismo, de diversidade de ideias, de busca de excelência e aprendizado colaborativo que caracteriza a Unicamp, foram fatores decisivos em sua formação. “Tenho certeza que foi dessa soma de conhecimento, networking e empreendedorismo que nasceu a CI&T, em 1995. De lá para cá, a forte relação com a universidade é algo em que acredito e faço questão de manter”, afirma. “Sem dúvida, a Unicamp nos ajudou a compor o nosso DNA, tendo como premissas a colaboração, a inovação e a transformação”.

 

No campo da inovação tecnológica, a Universidade acaba de atingir a marca de mil patentes vigentes. Deste total, 125 estão licenciadas a empresas. “Esse indicador de quase 13% das patentes licenciadas evidencia que a Unicamp tem uma história proativa em busca de parcerias com o setor empresarial”, diz o diretor executivo da Agência de Inovação da Universidade, Milton Mori. “Estamos fazendo o nosso papel de levar à sociedade avanço, benefícios e qualidade de vida a partir das parcerias com empresas intensivas em conhecimento”, completa.

 

Entre os casos de maior destaque no campo da inovação tecnológica figuram o teste de surdez genética, que permite detectar a deficiência auditiva em recém-nascidos; duas tecnologias para a obtenção de isoflavonas agliconas da soja, que deram origem ao medicamento fitoterápico à base dessas substâncias, produto certificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratamento dos sintomas da menopausa; e a tecnologia para o desenvolvimento de um novo medicamento sintético indicado para o diabetes melitus (tipo 2).

 

A geração de riqueza por meio da ciência também pode ser verificada nas centenas de parcerias com empresas, que vão desde o pequeno produtor em busca de uma solução para viabilizar economicamente o seu produto, à gigante Petrobras, que aproveita a efervescência intelectual dos cientistas para aprimorar sua técnica de retirada de petróleo das águas profundas do mar.

 

Além do ensino e da pesquisa, o tripé de atividades acadêmicas inclui as relações com a sociedade, por meio das quais a Universidade devolve ao contribuinte, em serviços de qualidade, parte do investimento de seus impostos. O setor de saúde é o aspecto mais visível dessa atividade. O setor é composto pelo Hospital de Clínicas (HC), o Hospital da Mulher Professor Doutor José Aristodemo Pinotti (Caism), o Hospital Estadual de Sumaré (HES), o Gastrocentro, o Hemocentro e a área de atendimento da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), cobrindo uma área de 90 municípios e uma população superior a seis milhões de habitantes.

 

Esse complexo de atendimento hospitalar abriga 857 leitos, o triplo do que seria necessário para as aulas práticas de seus estudantes de medicina. O que sobra é serviço público e gratuito, que em 2015 possibilitou cerca de 37 mil internações, 890 mil consultas ambulatoriais, 56 mil cirurgias, 5,2 mil partos e 6,5 milhões de exames laboratoriais.

 

“Considerado um dos cinco maiores hospitais públicos do interior do Estado, o HC da Unicamp consolidou ao longo de três décadas sua capilaridade assistencial de alta complexidade referência para uma região de quase 100 municípios, com cerca de 6,5 milhões de habitantes”, diz o superintendente do Hospital de Clínicas, João Batista de Miranda. “Nesse sentido, o HC tem desempenhado um papel fundamental em sua capacidade de interação com a sociedade regional”, completa.

 

Houve ainda avanços significativos no vestibular, com destaque para o Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (PAAIS), que aumentou a bonificação concedida a estudantes que cursaram o ensino médio integralmente em escolas públicas. A reforma mais recente do PAAIS, realizada em 2015 e aplicada no vestibular 2016, criou uma bonificação, até então inédita, para as provas da primeira fase, concedendo-se 60 pontos para estudantes do sistema público e mais 20 pontos para estudantes do sistema público autodeclarados PPIs. Já na segunda fase, as bonificações passaram a ser de 90 pontos para egressos do ensino médio público e de 30 pontos para egressos de escolas públicas autodeclarados PPIs.

 

Como resultado dessas medidas, mais da metade (51,9%) dos estudantes aprovados no vestibular 2016 da Unicamp cursaram o ensino médio em escolas públicas. E, desses, 43% são autodeclarados pretos, pardos ou indígenas (PPI). Com esses números, a Universidade supera as metas de inclusão social definidas pelo Conselho Universitário em 2013 e previstas para serem atingidas apenas no ano de 2017. O maior número até então era de 34% oriundos da escola pública.

 

Com objetivo similar, o Programa de Formação Interdisciplinar Superior (Profis) busca os melhores alunos dos cursos públicos de ensino médio na região de Campinas oferecendo-lhes vaga em um curso sequencial de dois anos e, em seguida, dependendo do desempenho, em cursos de graduação regulares da Universidade, sem necessidade de prestar o exame vestibular.

 

“Todas estas conquistas apontam para o inequívoco amadurecimento institucional, em que pese a Unicamp ser uma universidade ainda jovem para os padrões nacionais e internacionais”, observa o reitor Tadeu Jorge.

 

Segundo ele, porém, os resultados alcançados nestes 50 anos de atividades não retratam ações individuais ou de grupos isolados. “Constituem, antes de tudo, o esforço de toda uma comunidade, na qual se integram docentes, funcionários e estudantes, aos quais deve ser creditado o mérito das realizações”, completa.

 

Jornal Da Unicamp