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Tablet e Smartphones

4ª revolução industrial e a tecnologia para retomada em Goiás

Publicado em 30 outubro 2021

Goiânia - Muito antes dos microchips e aplicativos, a inovação nasce no Brasil no início do século XIX como forma do País libertar-se, mas não completamente, da dependência de outras metrópoles. Antes mesmo da Belle Époque, que transformou a relação do homem com o mundo e implantou em sua totalidade o modelo capitalista, os brasileiros iniciam procura por conteúdos que fizessem o País avançar no sentido da qualificação profissional. Em um momento semelhante de busca por libertação das amarras, as iniciativas atuais, apesar de adotarem metodologias mais dinâmicas, foram necessárias para proporcionar ao brasileiro, em tempos de pandemia, a possibilidade de recuperar suas vidas e a economia.

Em prol da retomada econômica no Estado de Goiás, afetado largamente pela pandemia do novo coronavírus, assim como em todo o mundo, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) desenvolveu uma plataforma para facilitar a reabertura de empresas nos municípios goianos. Por meio do Projeto Para Retomada Responsável dos Negócios, a Fieg explorou sua veia social e, ao mesmo tempo, a mercadológica para garantir uma volta segura aos negócios.

A tecnologia foi desenvolvida pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL), uma das entidades que integra o Sistema Fieg, e pode ser utilizada por meio de várias ferramentas: smartphone, desktop, tablet e notebook. Na plataforma, são estabelecidos os protocolos sanitários necessários para a reabertura das empresas e é feito, também, o cruzamento de informações cadastrais de empreendimentos com dados de secretarias da saúde, para garantir o retorno do trabalho somente com cumprimento das normas estabelecidas.

Com a plataforma "simples e intuitiva", conforme definem os desenvolvedores, o Projeto Para Retomada Responsável dos Negócios foi uma ação considerada de "sucesso" pelos gestores de Aparecida de Goiânia, uma das cidades que aderiram ao modelo. No município, a parceria com a Fieg garantiu um retorno seguro das atividades comerciais, que foi feito em um modelo diferente do adotado em várias outras cidades goianas: o escalonamento por regiões. Segundo o secretário municipal da Fazenda de Aparecida, André Rosa, a implementação da plataforma foi um passo fundamental para garantir a retomada da economia no município.

"A tecnologia, isso nos chamou atenção, foi construída de um modo muito simplificado e intuitivo. Assim, o empresário conseguia, sem treinamento ou orientação, saber como manipular a plataforma, quais inserir e como inserir", avalia Rosa. Segundo o secretário, todos os estabelecimentos comerciais, sem exceção, precisaram estar na plataforma para reabrir as portas. A metodologia adotada permitia, como conta, um maior controle sobre o respeito às normas sanitárias estabelecidas no município e até mesmo organizava a documentação necessária para que empresários pudessem atuar novamente no mercado.

"Aparecida de Goiânia só conseguiu ter sucesso em sua retomada por causa da plataforma. Na realidade, a nossa retomada ficou totalmente atrelada à plataforma", descreve. Apenas de janeiro a agosto deste ano, o município abriu mais de 1,2 mil novas empresas. Com uma média de 151 novos CNPJs por mês, Aparecida viu seus resultados superarem os do ano passado em 35%.

'Pandémique Époque'

Como mostra uma publicação da Revista Pesquisa, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), entre 1822 e 1834, o Ministério dos Negócios Estrangeiros dá início às suas primeiras atuações para promover a troca de saberes com outras regiões do mundo. Quase 200 anos depois, em 2020, a globalização permite um compartilhamento muito mais facilitado e ágil das informações - ainda assim, os novos desafios estão ligados às velhas necessidades.

Não vivemos mais o momento igual ao do século XIX, quando foi necessária uma atuação em prol da instrução e da defesa dos Direitos Humanos, e se desdobrou a Belle Époque ao fim da Guerra Franco-Prussiana, em 1871. Hoje, as guerras são um tanto mais complexas e fruto de uma série de problemas sociais explicitados e amplificados pela pandemia do novo coronavírus - como a fome, a má distribuição de renda e a necessidade de qualificação dos cidadãos.

Mas, em meio a tantas diferenças, aquele momento vivido até 1914, quando estoura a Primeira Guerra Mundial, foi marcado pela euforia do progresso tecnocientífico. Progresso este que, na contemporaneidade pandêmica, atingiu as empresas como um verdadeiro tapa de realidade em seus modos de gestão. Daí, inicia-se a busca desenfreada pela (re)adaptação à tecnologia - agora com microchips, aplicativos, inteligências artificiais e um universo inteiro de possibilidades que pareciam, até então, impossíveis.

O movimento não é à toa: como mostram dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em levantamento realizado pelo Instituto FSB Pesquisa, oito em cada dez indústrias brasileiras que optaram por trilhar o caminho da inovação em 2020 e 2021 viram crescer a produtividade, competitividade e, consequentemente, os resultados financeiros.

O próprio presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, em entrevista sobre a pesquisa, afirma que o caminho da recuperação e crescimento hoje passa “essencialmente” por investimentos em inovação. “Diante do surgimento de pandemias assustadoras, como a da covid-19, e da persistência de crônicos obstáculos ao crescimento econômico e à melhora das condições de vida da população, estimular o espírito inovador é primordial para avançarmos”, avalia Braga de Andrade.

É possível entender este momento de impulsionamento da virtualização e a nova revolução como não mais Belle Époque, mas, sim, Pandémique Époque. Neste momento épico, vive-se a transformação tecnológica, com uma verdadeira imersão obrigatória no ambiente digital para existir. O economista e engenheiro Klaus Schwab considera este momento como “a quarta revolução industrial” - termo que, inclusive, dá o título a uma obra sua com ponderações sobre esta experiência contemporânea.

"Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes", argumenta Schwab. A Fieg se antecipou em meio a esta complexidade: a plataforma que é parte do Projeto para Retomada Responsável dos Negócios une indústria, inovação e convergência das tecnologias.

 

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A Redação (Goiânia, GO)