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41% dos mares já foram impactados pela ação humana

Publicado em 03 outubro 2013

De acordo com um artigo divulgado recentemente na internet, estima-se que 41% dos mares e oceanos do planeta se encontrem fortemente impactados pela ação humana. Intitulado Politics should walk with Science towards protection of the oceans ("A política deve caminhar com a ciência na proteção dos oceanos"), o texto foi assinado pelo brasileiro Antonio Carlos Marques, professor associado do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), e por Alvar Carranza, pesquisador do Museu Nacional de História Natural, do Uruguai. 

De acordo com os autores, os oceanos estão inseridos em um problema grave que não tem recebido a merecida atenção. Um exemplo disso está no ritmo de implementação da diretriz relativa à proteção marinha definida pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), da Organização das Nações Unidas (ONU). 

Aprovada por 193 países mais a União Europeia durante a 10ª Conferência das Partes da CDB, realizada em Nagoya, Japão, em outubro de 2010, essa diretriz estabeleceu que, até 2020, pelo menos 10% das áreas costeiras e marinhas, especialmente aquelas importantes por sua biodiversidade, devem estar protegidas. 

Decorrido quase um terço do prazo, porém, as chamadas Áreas de Proteção Marinha (APMs) não cobrem mais do que 1,17% da superfície dos mares e oceanos do planeta. Dos 151 países com linha de costa, apenas 12 excederam os 10%. E a maior potência do mundo, os Estados Unidos, dotada de extensos litorais tanto no Atlântico como no Pacífico, não aderiu ao protocolo.

"Nossa principal intenção ao escrever o artigo foi destacar que existe uma necessidade de proteção dos mares. Essa solicitação pode ser parcialmente atendida pela meta dos 10% de áreas marinhas protegidas em um país. Porém, essas áreas devem respeitar os ambientes reais dos países. Não basta alcançar o número sem que haja uma quantidade e qualidade", diz Marques. 

De acordo com o autor, para cumprir as metas ambientais, alguns governos têm criado APMs gigantescas em torno de ilhas ou arquipélagos desabitadas. As unidades ficam distantes do território do país e não zelam pela qualidade da proteção da biodiversidade da costa nacional. 

Marques ressalta que essas áreas remotas são úteis, como nas APMs de Galápagos e da Barreira de Corais, pela especialidade dos ecossistemas protegidos. Mas, segundo ele, essas APMs não representam a gama de ambientes dos países. 

"Para os governos, é uma medida muito cômoda criar áreas de proteção ambiental em regiões desabitadas, porque o desgaste socioeconômico de tal implementação é baixíssimo. Exceto por uma ou outra indústria pesqueira, ninguém vai reclamar muito", explica o autor. 

O artigo também destaca que, com uma das mais extensas costas do mundo - com 9.200 quilômetros - o Brasil possui apenas 1,5% de seu litoral protegido por APMs. Além disso, 9% das áreas consideradas prioritárias para conservação já foram concedidas a companhias petroleiras para exploração. As costas altamente povoadas dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro concentram a maioria das reservas de petróleo do País.

Os dados publicados no artigo são derivados de dois projetos apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp): o primeiro, é um estudo de Auxílio à Pesquisa - Regular, que apoia a Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha (Sisbiota Mar); o segundo, refere-se a um Projeto Temático para pesquisar fatores que geram e regulam a evolução e diversidade marinhas.

* Confira a íntegra da matéria de José Tadeu Arantes na Agência Fapesp