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Jornal da USP online

38 Olhar ousado que descobre coisas novas

Publicado em 08 setembro 2014

Por Aline Naoe

A investigação científica responde e lança as mais diversas questões à sociedade, expandindo continuamente as fronteiras do conhecimento humano. É por isso que a pesquisa é uma das estruturas fundamentais do tecido que compõe uma universidade, exigindo visão estratégica e ações que garantam as condições necessárias à produção científica de qualidade. São as atividades de pesquisa as que mais se destacam no desenvolvimento de universidades de classe mundial. “E a USP é, provavelmente, o que temos de mais próximo disso no Brasil, com uma produção muito grande em diversas áreas do saber”, afirma o pró-reitor de Pesquisa e professor titular da Faculdade de Medicina (FM) da USP, José Eduardo Krieger.

Ao longo dos seus 80 anos, que completou em janeiro passado, a USP vem consolidando uma identidade forte, associada às melhores avaliações em relação a ensino e pesquisa. São cerca de 100 mil alunos distribuídos pelas cidades de São Paulo, Bauru, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto, Santos e São Carlos, além de unidades de ensino, museus e centros de pesquisa situados fora desses espaços e em diferentes municípios. Trata-se de uma exceção nos rankings internacionais, em que imperam instituições mais antigas, com abrangência e número de alunos muito menor.

Um dos indicadores da vocação da USP para atingir o patamar de uma universidade de classe mundial em pesquisa científica é a alta concentração de cursos de pós-graduação avaliados com conceitos 6 e 7, considerados de excelência pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Na última avaliação trienal realizada pela instituição, referente ao período de 2010 a 2012, a USP desponta como responsável por mais de 20% dos programas com melhor avaliação no País.

“Ao elaborar o plano de uma gestão, a primeira coisa a se considerar é: ‘como eu não atrapalho?’, pois trata-se de um time que já é vencedor”, pontua o professor Krieger. Dessa forma, a Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) vem dando continuidade às principais diretrizes seguidas nos últimos anos, como o estímulo à interdisciplinaridade e à internacionalização, com objetivos de longo prazo.

Fronteiras rompidas – Responsável por cerca de 23% de toda a produção científica nacional, a USP tem como um de seus principais desafios aumentar o impacto dessa produção, tanto em termos globais como internamente no País. A resposta a esse desafio veio na forma de políticas para a reorganização da produção científica na Universidade. A principal iniciativa nesse sentido foi a criação do Programa de Incentivo à Pesquisa, que consolidou a criação de 141 Núcleos de Apoio à Pesquisa, os NAPs. O programa, executado com orçamento da própria Universidade, incentiva o agrupamento de pesquisadores de unidades distintas, e mesmo externas à USP, em torno de um tema relevante, que exija em sua investigação diferentes olhares.

Para a presidente da Comissão de Pesquisa da Faculdade de Odontologia (FO) e colaboradora da PRP, Adriana Bona Matos, trata-se de uma iniciativa bem-sucedida e que veio para ficar. “Esta é a beleza da interdisciplinaridade: conseguir ampliar esse olhar para descobrir coisas novas. Pesquisa é ousadia, é preciso sair da zona de conforto”, afirma.

A ideia é que os NAPs, ainda que depois de um tempo de atividade venham a se desfazer, sirvam de embrião a outros projetos temáticos e agrupamentos – como os Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) – ou mesmo a outros NAPs. “A USP tem cerca de 6 mil docentes. A Pró-Reitoria de Pesquisa não tem como olhar simultaneamente todos eles, mas tem condições de olhar NAPs, Cepids, INCTs e pode ter um planejamento para atender demandas prioritárias”, explica o pró-reitor de pesquisa.

“Trata-se de um caminho importantíssimo. É preciso construir agendas de pesquisa que quebrem fronteiras entre departamentos, áreas e institutos”, acredita o professor do Departamento de Ciência Política e presidente da Comissão de Pesquisa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), João Paulo Cândia Veiga. Essa integração pode ser estimulada mesmo na iniciação científica: o Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica da USP (Siicusp) chega agora à sua 22ª edição, reunindo alunos de todas as áreas.

Paralelo à pesquisa interdisciplinar como impulso à qualidade, está também o processo de internacionalização, que visa a intensificar a presença da Universidade no exterior por meio de incentivos ao intercâmbio de pesquisadores e mobilidade de alunos.

Apoio à gestão – Uma das metas da Pró-Reitoria de Pesquisa é criar ferramentas de apoio à gestão de projetos. Isso porque, hoje, em geral, é o próprio pesquisador quem administra questões burocráticas, como cotações, importações, fornecedores e prestação de contas. “Parece que é um detalhe, mas é muito importante. Se o pesquisador estiver dedicando a maior parte do seu tempo à sua atividade-fim, ele vai ser um melhor pesquisador”, afirma o professor José Eduardo Krieger. “Queremos entregar até o final do ano uma plataforma de TI (tecnologia de informação) para auxiliar a gestão de projetos.”

A professora Adriana Matos, da Faculdade de Odontologia, conta que algumas unidades já têm à disposição escritórios de apoio à gestão, e que a Fapesp tem, inclusive, proposto treinamentos aos funcionários dessas seções. O projeto piloto implantado durante um ano na FO, segundo Adriana, foi bem avaliado pelos pesquisadores que usaram a estrutura, considerada uma iniciativa fundamental. A intenção da PRP é organizar esses escritórios em rede, de modo que todas as unidades possam recorrer a esses serviços.

A Agência USP de Inovação também integra essa rede de apoio às atividades de pesquisa, em especial no que se refere à transferência tecnológica. Responsável pela gestão da política de inovação tecnológica da Universidade, a Agência apoia a comunidade uspiana para que o conhecimento gerado em suas dependências gere benefícios e desenvolvimento socioeconômico sustentável ao País. Isso se dá na mediação com os setores empresariais e na orientação em relação ao registro e proteção do patrimônio industrial e intelectual, além do estímulo ao empreendedorismo, por exemplo.

De dentro para fora – A produção científica da USP extrapola seus muros não apenas de forma aplicada, por meio de produtos e tecnologias, mas também na forma de artigos, dissertações, teses e reportagens, que tornam acessíveis tanto à comunidade científica como à sociedade em geral o conhecimento produzido na Universidade.

A Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP conta, atualmente, com quase 50 mil trabalhos defendidos, disponibilizados em sua versão completa. Há ainda a Biblioteca Digital da Produção Intelectual da USP, um sistema de gestão e disseminação da produção científica, acadêmica, técnica e artística gerada pelos pesquisadores da Universidade. A USP também dedica esforços à manutenção de veículos de comunicação, que divulgam de forma ampla as atividades desenvolvidas na instituição.

O investimento em pesquisa na USP

Quem financia?

  • A USP, com recursos do seu próprio Orçamento (é o caso dos recursos destinados pela Pró-Reitoria de Pesquisa aos Núcleos de Apoio à Pesquisa, os NAPs)
  • Agências federais e estaduais de fomento (as principais são Fapesp, CNPq e Capes)
  • Empresas públicas federais (Finep e BNDES, por exemplo, apoiam estudos acadêmicos)
  • Agências internacionais de fomento (parcerias com instituições de pesquisa estrangeiras em diversas áreas)
  • Iniciativa privada (cooperação de empresas, indústrias e instituições financeiras)

O que é financiado?

  • Projetos de pesquisa individuais
  • Projetos de pesquisa em rede
  • Pesquisadores visitantes
  • Publicação de periódicos, artigos e livros
  • Organização e participação em eventos científicos
  • Equipamentos e laboratórios
  • Bolsas de pesquisa em diversos níveis

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